Imagine uma habitação para pesquisadores construída em cima de uma pequena área de formação vulcânica, rodeada pelo Oceano Atlântico. Esta estação científica existe, e há décadas abriga cientistas de todo o país para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas à biologia, oceanografia, geologia, climatologia, sismologia e outras áreas do conhecimento.
A formação do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) é rara: são rochas plutônicas, formadas pelo magma que resfriou ainda no interior da crosta terrestre e depois soergiu acima do nível do mar. Este importante território fica a mais de 1.000 km da Costa Brasileira, na faixa equatorial. A Marinha do Brasil e o ICMBio fazem a gestão do arquipélago e da área marítima em um raio de 200 milhas náuticas ao seu redor, que são protegidas por duas unidades de conservação federais: Área de Proteção Ambiental e Monumento Natural do ASPSP.
Renovação
A nova estação científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, terceira a ser implantada no local, está em fase de estudo de materiais e de métodos construtivos por meio da FEST – Fundação Espiritosantense de Tecnologia e da UFES – Universidade Federal do Espírito Santo. A substituição da segunda Estação é necessária porque a edificação já apresenta danos causados pela ação do tempo e das intempéries, que no local são bem mais severas, exigindo manutenções periódicas.

- Atual Estação Científica (segunda implantada no local). Estrutura é construída considerando características ambientais extremas e abalos sísmicos. Foto: Acervo Marinha do Brasil
O projeto da Nova Estação Científica é audacioso, dadas as características e localização do Arquipélago e a finalidade da construção. Devido as limitações do local, todo o trabalho de instalação da nova estrutura precisa ser feito braçalmente, sem a ajuda de guindastes e de máquinas que são utilizadas nas construções convencionais. O desembarque de todo o material é feito de bote, e com o mínimo impacto ambiental.
Parceria
ICMBio, Marinha do Brasil, UFES, FEST e Caixa Econômica estão envolvidos no projeto, viabilizado com recursos do fundo de compensação ambiental. O investimento é de R$ 7 milhões de reais. O acordo entre os órgãos envolvidos foi assinado no dia 7 de maio deste ano, e os estudos para a elaboração do projeto e a execução da obra devem durar 24 meses.
No final de setembro, parte da equipe do ICMBio Grandes Unidades Oceânicas esteve presencialmente na FEST para uma reunião de atualização sobre o projeto. O chefe do ICMBio Grandes Unidades Oceânicas destacou que a parceria com a Fundação de Pesquisa foi fundamental: “É uma obra muito complexa e praticamente impossível de ser viabilizada com mecanismos convencionais de execução de recursos. As fundações de pesquisas são especializadas na execução de projetos complexos. Acreditamos que esta parceria pioneira com o ICMBio abre as portas para a execução de novos projetos pelo país, com recursos da compensação ambiental”.
Armando Biondo, superintendente da FEST, apresentou à equipe do ICMBio os marcos da execução do projeto, que está em fase de testes de materiais e componentes construtivos, alguns deles já instalados na ilha junto com um instrumento de medição de temperatura e umidade. A ideia é utilizar na terceira Estação um novo material, resistente como a madeira, mas com peças de peso similar ou menor, e que demande menor manutenção.
O estudo está sendo feito pela equipe do Laboratório de Planejamento e Projetos (LPP) da UFES, sob a coordenação técnica do Dr. Bernardo Zandomenico Dias, que também desenvolve a pesquisa como parte de seu pós-doutorado. Todas as atividades são coordenadas pela professora da UFES Dr.ª Cristina Engel de Alvarez, coordenadora do LPP e responsável pelo projeto e pela construção das duas estações já implantadas no Arquipélago.
Histórico
A primeira Estação Científica construída no ASPSP foi inaugurada em 25 de junho de 1998 e substituída pela segunda estação em 2008, em uso até os dias atuais e construída em local mais abrigado da ação das ondas. Saiba mais aqui.










