A taxa de desocupação no Amazonas apresentou oscilações significativas entre os trimestres de 2024 e o início de 2025. Após cair de 9,8% no primeiro trimestre de 2024 para 8,3% ,no fim do mesmo ano, voltou a subir para 10,1% no primeiro trimestre de 2025 — um aumento tanto em relação ao período anterior quanto ao mesmo trimestre do ano anterior. Apesar disso, o nível de ocupação cresceu levemente, alcançando 55,7% no início de 2025, enquanto a taxa de participação na força de trabalho aumentou para 61,9%, indicando maior inserção da população no mercado. O número de pessoas ocupadas subiu de 1.741 mil para 1.843 mil ,no período, embora com menor ritmo de crescimento. Já os desocupados passaram de 189 mil para 206 mil, refletindo a elevação do desemprego. Por outro lado, a massa de rendimento e o rendimento médio dos ocupados cresceram; o número de empregados com carteira assinada também aumentou, sugerindo avanços na formalização do trabalho, apesar de a taxa de informalidade ainda ser alta: 53,3% — a quarta maior do país.
Setorialmente, houve crescimento na ocupação industrial, que passou de 196 mil para 237 mil trabalhadores entre os primeiros trimestres de 2024 e 2025, além de ganhos no Comércio, Construção e Administração Pública. Em contraste, setores como “Agricultura e alojamento” apresentaram queda ou estabilidade no número de ocupados. O número de empregadores com Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) diminuiu, enquanto os sem CNPJ aumentou, o que reforça a informalização. Trabalhadores por conta própria ,sem CNPJ, também se mantêm numerosos, embora com ligeira redução no início de 2025.
Com 982 mil pessoas em situação de informalidade, o Amazonas ocupa o segundo lugar na região Norte, atrás apenas do Pará. A persistente informalidade no estado reflete fragilidades estruturais no mercado de trabalho, comuns na região Norte, como o acesso limitado a empregos formais e a proteção trabalhista.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PNAD Contínua Trimestral), referente ao primeiro trimestre de 2025, divulgada hoje,16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Destaques:
- A taxa de desocupação subiu para 10,1% no primeiro trimestre de 2025, revertendo a queda observada no trimestre anterior e superando o mesmo período de 2024;
- O número de pessoas na força de trabalho aumentou em 119 mil pessoas, entre o primeiro trimestre de 2024 e o primeiro trimestre de 2025, indicando maior participação da população no mercado;
- Com uma taxa de 53,3%, o Amazonas possui uma das mais altas taxas de informalidade do país, ocupando a quarta posição nacional, o que evidencia precariedade nas relações de trabalho;
- O número de empregados com carteira assinada cresceu de 442 mil para 482 mil no período analisado, sinalizando um progresso na formalização do emprego;
- Apesar do crescimento da população ocupada, o ritmo desacelerou entre os dois últimos trimestres, o que pode sinalizar dificuldades na criação de novas vagas;
- O setor agrícola perdeu força, com uma redução de 34 mil pessoas ocupadas entre o primeiro trimestre de 2024 e o primeiro de 2025;
- A indústria geral apresentou um crescimento significativo, passando de 196 mil para 237 mil trabalhadores no mesmo período — um dos setores mais dinâmicos;
- O rendimento médio mensal real habitual dos ocupados teve um aumento de R$ 64 em um ano, demonstrando melhora no poder de compra dos trabalhadores;
- A massa salarial real somada aumentou em R$ 368 milhões entre os primeiros trimestres de 2024 e 2025, refletindo uma economia em expansão;
- O número de trabalhadores domésticos com carteira assinada caiu de 11 mil para 7 mil, indicando maior informalidade nesse tipo de ocupação.
Taxa de Desocupação
A taxa de desocupação no Amazonas apresentou variações ao longo dos trimestres analisados. No primeiro trimestre de 2024 (jan-fev-mar/2024), a taxa foi de 9,8%. Houve uma diminuição para 8,3% no trimestre seguinte (out-nov-dez/2024). No entanto, no primeiro trimestre de 2025 (jan-fev-mar/2025), a taxa de desocupação subiu para 10,1%. Isso indica um aumento na desocupação, em comparação com os trimestres anteriores, com um aumento de 0,3 ponto percentual (p.p.) em relação ao mesmo período do ano anterior e um aumento de 1,7 p.p em relação ao trimestre imediatamente anterior.
Nível de Ocupação
O nível de ocupação no Amazonas, que é o percentual de pessoas ocupadas em relação a população em idade de trabalhar (pessoas de 14 anos ou mais), também mostrou mudanças, embora menos acentuadas. Em jan-fev-mar/2024, o nível de ocupação foi de 54,1%. Esse valor subiu para 55,6% em out-nov-dez/2024 e continuou a crescer ligeiramente para 55,7% em jan-fev-mar/2025. Assim, observa-se um leve aumento no nível de ocupação ao longo dos trimestres.
Taxa de Participação na Força de Trabalho
A taxa de participação na força de trabalho, que é o percentual de pessoas em idade para trabalhar ,que estão na força de trabalho, apresentou um crescimento constante no período analisado. Em jan-fev-mar/2024, a taxa era de 60%. Ela aumentou para 60,6% em out-nov-dez/2024 e alcançou 61,9% em jan-fev-mar/2025. Esse padrão indica uma tendência de mais pessoas ingressando ou buscando ativamente participação no mercado de trabalho, no Amazonas.

Por condição, em relação a força de trabalho e condição na ocupação
Considerando as pessoas de 14 anos ou mais de idade, a população total do estado apresentou um crescimento ao longo dos trimestres analisados. No primeiro trimestre de 2024 (jan-fev-mar/2024), a população total era de 3.216 mil pessoas. Esse número aumentou para 3.306 mil no trimestre seguinte (out-nov-dez/2024) e atingiu 3.309 mil no primeiro trimestre de 2025 (jan-fev-mar/2025). Observa-se, portanto, um aumento constante da população total ao longo do período, com um acréscimo de 93 mil pessoas entre o primeiro trimestre de 2024 e o primeiro trimestre de 2025.
O contingente de pessoas na força de trabalho, que é o conjunto de pessoas que estão ocupadas ou desocupadas e procurando trabalho ,com 14 anos ou mais de idade, também registrou expansão nos trimestres em questão. Em jan-fev-mar/2024, havia 1.930 mil pessoas na força de trabalho. Esse número subiu para 2.004 mil em out-nov-dez/2024 e alcançou 2.049 mil em jan-fev-mar/2025. O aumento indica uma crescente participação da população do Amazonas no mercado de trabalho.
O número de pessoas ocupadas, mostrou um aumento ao longo dos trimestres, embora com uma desaceleração no ritmo de crescimento. Em jan-fev-mar/2024, havia 1.741 mil pessoas ocupadas. Esse número cresceu para 1.837 mil em out-nov-dez/2024 e atingiu 1.843 mil em jan-fev-mar/2025. O menor incremento entre os dois últimos trimestres pode sugerir uma moderação na geração de novos empregos.
Já o número de pessoas desocupadas, ou seja, aquelas que estão procurando emprego mas não conseguem encontrar, apresentou uma variação interessante. Inicialmente, em jan-fev-mar/2024, havia 189 mil pessoas desocupadas. Esse número diminuiu para 167 mil em out-nov-dez/2024, indicando uma melhora no cenário do desemprego. No entanto, houve um aumento para 206 mil pessoas desocupadas em jan-fev-mar/2025, o que representa um retorno ao patamar inicial e um aumento no número de desempregados.
O contingente de pessoas fora da força de trabalho, ou seja, aquelas que não estão ocupadas nem procurando emprego, apresentou uma leve flutuação. Em jan-fev-mar/2024, havia 1.286 mil pessoas nessa situação. Esse número subiu para 1.303 mil em out-nov-dez/2024. Contudo, houve uma redução para 1.261 mil pessoas fora da força de trabalho em jan-fev-mar/2025.

Ocupadas por posição na ocupação, setor e categoria
Considerando o número de empregados com carteira assinada no Amazonas,houve um aumento consistente ao longo dos trimestres analisados. Em jan-fev-mar/2024, havia 442 mil empregados com carteira. Esse número subiu para 478 mil em out-nov-dez/2024 e alcançou 482 mil em jan-fev-mar/2025. O crescimento indica uma tendência positiva de formalização do emprego no estado.
O número de empregados sem carteira assinada apresentou uma variação ao longo dos trimestres. Em jan-fev-mar/2024, havia 218 mil empregados sem carteira. Houve uma leve diminuição para 214 mil em out-nov-dez/2024. No entanto, no primeiro trimestre de 2025, esse número aumentou para 238 mil. Isso sugere que, apesar de uma breve queda, a informalidade no emprego voltou a crescer.
O número de trabalhadores domésticos com carteira assinada mostrou uma diminuição no primeiro trimestre de 2025. Nos trimestres de jan-fev-mar/2024 e out-nov-dez/2024, havia 11 mil trabalhadores domésticos ,com carteira, em cada trimestre. Esse número caiu para 7 mil em jan-fev-mar/2025, indicando uma redução na formalização desse tipo de trabalho.
O número de trabalhadores domésticos ,sem carteira assinada, apresentou uma pequena flutuação. Em jan-fev-mar/2024, havia 66 mil trabalhadores domésticos sem carteira. Esse número diminuiu para 63 mil em out-nov-dez/2024, mas aumentou para 70 mil em jan-fev-mar/2025.
O número de empregados no setor público teve uma variação trimestral. Em jan-fev-mar/2024, havia 287 mil empregados no setor público. Esse número aumentou para 309 mil em out-nov-dez/2024. Contudo, houve uma diminuição para 293 mil em jan-fev-mar/2025.
O número de empregadores com CNPJ apresentou uma tendência de queda ao longo dos trimestres. Em jan-fev-mar/2024, havia 36 mil empregadores com CNPJ. Esse número diminuiu para 34 mil em out-nov-dez/2024 e novamente para 31 mil em jan-fev-mar/2025.
O número de empregadores sem CNPJ mostrou um aumento, principalmente no último trimestre. Em jan-fev-mar/2024, havia 12 mil empregadores sem CNPJ. Esse número teve um leve aumento para 13 mil em out-nov-dez/2024, mas saltou para 21 mil em jan-fev-mar/2025.
O número de trabalhadores por conta própria com CNPJ apresentou uma pequena variação. Em jan-fev-mar/2024, havia 36 mil trabalhadores por conta própria com CNPJ. Esse número diminuiu para 48 mil em out-nov-dez/2024 e manteve 48 mil em jan-fev-mar/2025.
O número de trabalhadores por conta própria sem CNPJ mostrou um aumento seguido de uma leve queda. Em jan-fev-mar/2024, havia 500 mil trabalhadores por conta própria sem CNPJ. Esse número aumentou para 533 mil em out-nov-dez/2024 e diminuiu para 527 mil em jan-fev-mar/2025.
O número de trabalhadores familiares auxiliares apresentou uma variação trimestral. Em jan-fev-mar/2024, havia 131 mil trabalhadores familiares auxiliares. Esse número aumentou para 137 mil em out-nov-dez/2024 e reduziu para 126 mil em jan-fev-mar/2025.

Pessoas ocupadas por grupamento de atividades, no trabalho principal
O setor de “Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura” apresentou uma leve variação no número de pessoas ocupadas. Em jan-fev-mar/2024, havia 295 mil trabalhadores nesse setor. Houve uma pequena queda para 288 mil em out-nov-dez/2024. No primeiro trimestre de 2025, o número de trabalhadores diminuiu para 261 mil.
A Indústria geral registrou aumento no número de pessoas ocupadas ao longo dos trimestres analisados. Em jan-fev-mar/2024, havia 196 mil trabalhadores nesse setor. Esse número subiu para 226 mil em out-nov-dez/2024 e novamente para 237 mil em jan-fev-mar/2025. Essa tendência indica um aumento na absorção de mão de obra pela indústria geral no Amazonas.
O setor da Construção apresentou um aumento constante no número de pessoas ocupadas. Em jan-fev-mar/2024 havia 92 mil trabalhadores nesse setor. Esse número subiu para 109 mil em out-nov-dez/2024 e reduziu para 104 mil em jan-fev-mar/2025. O que sugere uma manutenção das atividades de construção no estado.
O “Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas” mostrou uma variação no número de pessoas ocupadas. Em jan-fev-mar/2024, havia 320 mil trabalhadores nesse setor. Esse número reduziu para 313 mil em out-nov-dez/2024. No entanto, no primeiro trimestre de 2025, o número de trabalhadores aumentou para 318 mil.
O setor de “Transporte, armazenagem e correio” apresentou pequenas flutuações no número de pessoas ocupadas. Em jan-fev-mar/2024 havia 320 mil trabalhadores nesse setor. Houve uma leve diminuição para 313 mil em out-nov-dez/2024. Em jan-fev-mar/2025 o número de trabalhadores aumentou para 318 mil.
O setor de “Alojamento e alimentação” também apresentou variações no número de pessoas ocupadas. Em jan-fev-mar/2024, havia 113 mil trabalhadores nesse setor. Esse número subiu para 120 mil em out-nov-dez/2024. Contudo, houve uma leve diminuição para 118 mil em jan-fev-mar/2025.
O setor de “Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas” praticamente manteve o número de pessoas ocupadas. Em jan-fev-mar/2024, havia 144 mil trabalhadores nesse setor. Esse número aumentou para 148 mil em out-nov-dez/2024 e pequena queda para 143 mil em jan-fev-mar/2025.
O setor de “Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais” apresentou pequenas variações. Em jan-fev-mar/2024, havia 338 mil trabalhadores nesse setor. Esse número teve um leve aumento para 379 mil em out-nov-dez/2024 e uma leve diminuição para 369 mil em jan-fev-mar/2025.
O setor de “Outros serviços” mostrou um aumento no número de pessoas ocupadas. Em jan-fev-mar/2024, havia 79 mil trabalhadores nesse setor. Esse número aumentou para 87 mil em out-nov-dez/2024 e diminuiu para 101 mil em jan-fev-mar/2025.
O setor de “Serviços domésticos” apresentou um aumento no número de pessoas ocupadas. Em jan-fev-mar/2024 havia 77 mil trabalhadores nesse setor. Esse número caiu para 74 mil em out-nov-dez/2024 e aumentou para 79 mil em jan-fev-mar/2025.

Rendimento médio mensal dos ocupados
O rendimento médio mensal real habitual de todos os trabalhos das pessoas ocupadas no Amazonas apresentou um aumento constante ao longo dos trimestres. Houve um leve aumento de R$ 37 ,do primeiro trimestre de 2024 para o último trimestre de 2024, e um novo aumento de R$ 27 para o primeiro trimestre de 2025. No geral, o rendimento médio aumentou em R$ 64 entre jan-fev-mar/2024 e jan-fev-mar/2025.

Analisando a “Massa de rendimento mensal real habitual de todos os trabalhos das pessoas ocupadas, em milhões de reais” ,no Estado do Amazonas, observa-se um aumento consistente ao longo dos trimestres. Em jan-fev-mar/2024 a massa de rendimento era de R$ 3,9 milhões. Esse valor subiu para R$ 4,2 milhões em out-nov-dez/2024, e novamente para R$ 4,3 milhões em jan-fev-mar/2025. Houve um aumento de R$ 288 milhões entre o primeiro trimestre de 2024 e o trimestre final de 2024, seguido por um novo aumento de R$ 80 milhões no primeiro trimestre de 2025. No geral, a massa de rendimento aumentou em R$ 368 milhões entre jan-fev-mar/2024 e jan-fev-mar/2025.

Taxa de Informalidade
No primeiro trimestre de 2025, a taxa de informalidade no Amazonas foi de 53,3%, uma das mais altas do país, ocupando a quarta posição entre os estados com maior proporção de trabalhadores informais. Apenas Maranhão (58,4%), Pará (57,5%) e Piauí (54,6%) apresentaram taxas superiores. Em contraste, os estados com as menores taxas de informalidade foram Santa Catarina (25,3%), Distrito Federal (28,2%), São Paulo (29,3%), Mato Grosso do Sul (30,5%) e Rio Grande do Sul (31,2%). A taxa do Amazonas é mais que o dobro da observada em Santa Catarina, evidenciando uma forte presença do trabalho informal no estado, o que indica fragilidade nas relações formais de trabalho e menor acesso a direitos trabalhistas e previdenciários para grande parte da população ocupada, realidade comum na região Norte e também presente em boa parte do Nordeste.
No primeiro trimestre de 2025, os estados da região Norte apresentaram os seguintes números absolutos ,de pessoas de 14 anos ou mais em situação de informalidade: Pará liderou com 2,2 milhões, seguido pelo Amazonas com 982 mil. O Maranhão (1,5 milhão) apesar de estar na região Nordeste, as vezes é incluído em análises do Norte por proximidade geográfica e socioeconômica; Rondônia com 412 mil; Tocantins com 327 mil; Amapá com 165 mil, Roraima com 123 mil; e Acre com 154 mil. Esses dados mostram que o Pará concentra a maior parte dos trabalhadores informais da região, representando mais que o dobro do Amazonas, que ocupa a segunda posição. Os demais estados apresentam números significativamente menores, com destaque para Roraima, o menor da região. Essa distribuição evidencia a forte concentração da informalidade nas unidades federativas mais populosas do Norte, refletindo tanto o tamanho da força de trabalho quanto as limitações estruturais de inserção formal no mercado de trabalho.

Sobre a PNAD Contínua Trimestral
A PNAD Contínua Trimestralé a versão trimestral da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), um levantamento estatístico contínuo conduzido pelo IBGE.Este estudo visa fornecer dados detalhados sobre o mercado de trabalho, como desemprego, taxa de atividade e renda, além de outros indicadores socioeconômicos.
A PNAD Contínua é uma pesquisa contínua, ou seja, os dados são coletados mensalmente e divulgados trimestralmente. Essa metodologia permite a análise de tendências e mudanças no mercado de trabalho ao longo do tempo.









