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Caso raro de gambá infectado com raiva acende alerta sobre circulação do vírus em ambiente urbano

Animal, também conhecido como saruê, foi encontrado morto em Campinas, e tinha mesma variante de vírus da raiva de morcegos que comem frutas

Redação por Redação
16 de fevereiro de 2024
em Meio Ambiente
Transmissão entre morcegos e gambás pode se dar pela interação entre os animais durante competição por hábitats – Foto: Alex Popovkin/Wikimedia Commons

Transmissão entre morcegos e gambás pode se dar pela interação entre os animais durante competição por hábitats – Foto: Alex Popovkin/Wikimedia Commons

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Encontrado em 2021 no Parque Bosque dos Jequitibás, região central de Campinas, o corpo de uma fêmea de gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), mamífero também conhecido como saruê ou sariguê, teve a causa da morte determinada por um grupo de pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz e da USP, além de profissionais da saúde de instituições públicas dos municípios de São Paulo e Campinas: meningoencefalite causada por infecção pelo vírus da raiva. Publicado na revista Emerging Infectious Diseases, o resultado acende um alerta sobre a presença do vírus, mortal para humanos, no ambiente urbano.

Eduardo Ferreira Machado – Foto: Lattes

“A variante da raiva de cães não é mais detectada no Estado de São Paulo, por conta do sucesso das campanhas de vacinação de animais domésticos. Por isso, é importante monitorar outros mamíferos que possam ser vetores do vírus, principalmente animais negligenciados por esse tipo de vigilância, como os gambás”, alerta Eduardo Ferreira Machado, que conduziu o trabalho durante seu doutorado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os sinais neurológicos da doença detectados no animal sugerem a forma que causa paralisia e é transmitida por morcegos. A detecção de partículas virais em outros órgãos indicou, ainda, que a infecção estava na fase de espalhamento sistêmico.

O gambá foi um dos 22 testados para raiva e outras doenças pela equipe em 2021, no âmbito de um projeto de vigilância epidemiológica realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e o Centro de Controle de Zoonoses de Campinas. No mesmo ano, a equipe analisou ainda 930 morcegos, 30 deles positivos para a raiva. Entre os infectados, a maior parte (17 ou 56,7%) era de espécies frugívoras do gênero Artibeus. Os outros 13 (43,4%) eram insetívoros de três gêneros diferentes.

A transmissão entre morcegos e gambás pode se dar pela interação entre os animais, que competem por hábitats tanto naturais (como alto de árvores) quanto aqueles fornecidos por humanos (sótãos de casas, por exemplo). Em 2014, um caso de raiva em um gato foi notificado em Campinas. O vírus era de uma variante encontrada em morcegos. Assim como os gatos, os gambás também podem predar esses animais, o que leva à hipótese mais provável para a transmissão.

Em amostra de cérebro de gambá (Didelphis albiventris), imagem feita com microscópio indica antígenos do vírus da raiva em neurônios (indicados por setas) – Imagem: Reprodução/Eduardo Ferreira Machado

 

Ponte para humanos

Os pesquisadores destacam ainda que, dos 22 gambás analisados, 15 haviam sido mortos por ataques de cães. “Os cachorros poderiam ser uma ponte entre os gambás e nós, trazendo a raiva e outras doenças para os humanos. Por isso, também, a importância de monitorar os animais silvestres que vivem nas cidades”, completa Machado. Segundo José Luiz Catão Dias, professor da FMVZ e orientador de Machado, os gambás são estratégicos para esse tipo de vigilância, uma vez que se adaptam muito bem a ambientes urbanos, sem necessariamente deixar de interagir com áreas silvestres.

Fonte: USP
 

Tags: GambáMeio AmbienteRaiva

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