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Peixes migratórios de água doce estão entre os mais ameaçados no mundo

Estudo lançado na COP15 identifica 325 espécies sob pressão

Agência Brasil por Agência Brasil
27 de março de 2026
em Meio Ambiente
Foto: © ICMBio

Foto: © ICMBio

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O relatório Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce, lançado durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), em Campo Grande (MS), identificou 325 espécies que necessitam de esforços de conservação internacional em todo o mundo.

O estudo indicou que desse total, 55 espécies estão na América Latina. A Bacia Amazônica foi considerada área prioritária para ações de proteção da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS na sigla em inglês).

“O relatório traz um estudo de caso associado com 20 espécies amazônicas. E aí você vê que a Bacia Amazônica está sendo muito afetada. E a gente tem que colocar nessa conta a mudança climática. A Amazônia enfrentou episódios de seca extremas, que tem um impacto gigantesco nesse recurso”, destaca a secretária Nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita.

Os dados do relatório global apontam ainda uma crise silenciosa em baixo d’água com a diminuição de cerca de 81% das populações de peixes migratórios de água doce em todo o mundo, desde 1970.

A construção de barragens, poluição por plásticos e outras substâncias e pesca predatória são algumas das ameaças indicadas no estudo, agravadas pelas mudanças climáticas que impulsionam a degradação e fragmentação dos seus habitats. Com rios mais secos e desconectados, as espécies ficam impossibilitadas de migrar em busca de alimento ou para reprodução.

“Isso tudo leva a uma pressão muito grande sobre essas espécies, que são base econômica para as pessoas que vivem na Amazônia e dependem da fonte proteica na alimentação. Isso impacta não só a Amazônia brasileira, mas todas as populações que vivem ao longo dos rios”, alerta Carlos Durigan, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.

Delegação brasileira

De acordo com a secretária Rita Mesquita, a delegação brasileira tem atuado nesta COP15 com propostas para reverter o declínio das espécies migratórias que passam pelo território nacional. Um exemplo é o Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios da Amazônia, elaborado em cooperação com Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, entre os anos de 2024 e 2025.

“São espécies que viajam 11 mil quilômetros para os sítios de reprodução e acasalamento, e percorrem um caminho impressionante para atingir maturidade. Então,não importa o que a gente faça dentro do Brasil, se isso não tiver um espelho nos outros países”, reforça.

O Brasil também apoia a inclusão da espécie chamada popularmente de pintado, ou surubim-pintado (Pseudoplatystoma corruscans), presente na Bacia do Prata, para que entre na lista do Anexo II da CMS.

“Há muito mais espécies que deveriam estar na convenção e não estão, o próprio relatório confirma isso. O Brasil, por exemplo, está prestes a lançar a lista das espécies ameaçadas de extinção. É uma atualização em que algumas espécies mudaram de status de vulnerabilidade e, então, a preocupação aumenta e os esforços também precisam ser melhorados”, conclui.

Confira aqui a integra do relatório em inglês.

Tags: AmazôniaBrasilMeio Ambientepeixes

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