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Músicas mais antigas do Brasil ganham primeira gravação mundial

Datadas de cerca de 1730, obras foram reconstruídas pelo professor da USP Rubens Russomano Ricciardi e interpretadas por músicos ligados à USP Filarmônica

Redação por Redação
1 de janeiro de 2025
em Cultura
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Na capa de um velho livro oriundo do Brasil colonial, perdido em um convento construído pela Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, na Vila de Sant’Anna de Mogy Mirim, um tesouro permaneceu escondido por quase 300 anos. Uma coleção de papéis que preservou as músicas mais antigas de que se tem notícia na história do Brasil. Conhecidas como as Solfas de Mogi das Cruzes, essas obras jamais haviam sido gravadas. Até agora.

Em 28 de novembro passado foi lançado nas plataformas digitais o álbum Música do Brasil Colônia – As Solfas de Mogi das Cruzes (disponível aqui). Trata-se do primeiro registro fonográfico mundial desse conjunto, reunindo sete peças extraídas de documentos datados da década de 1730. Realizada com direção musical e regência do professor Rubens Russomano Ricciardi, do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, a interpretação ficou sob responsabilidade do Ensemble Mentemanuque, grupo de câmara dedicado à música contemporânea e à memória da música brasileira, composto de músicos da USP Filarmônica, orquestra ligada à FFCLRP.

O professor recebeu a tarefa de reconstituir as solfas. Um trabalho que envolveu transformar as antigas notações musicais em partituras contemporâneas e reconstruir as partes perdidas ou ausentes nos documentos originais.

Homem de óculos e com camisa escura.
O professor Rubens Russomano Ricciardi – Foto: IEA-USP

Solfa é o nome que foi dado, durante o período colonial, para qualquer papel portador de um registro musical, seja ele manuscrito ou impresso. É uma palavra que remonta à Idade Média europeia e da qual derivam termos como solfejo e solfejar. É um conceito mais amplo do que o termo partitura e, por isso, considerado mais adequado para falar dos documentos encontrados em Mogi das Cruzes. Nestes, há apenas a indicação das vozes do coro e, em alguns casos, de um único instrumento, enquanto uma partitura apresenta todo o conjunto – instrumentos e vozes.

Entre tombamentos e livros

A maior parte dos documentos que compõem as Solfas de Mogi das Cruzes foi encontrada em 1984, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, pelo historiador Jaelson Bitran Trindade. Participando do planejamento de uma exposição do Museu de Arte Sacra de Mogi das Cruzes, ligada à inauguração das então restauradas Igrejas das Ordens 1ª e 3ª do Carmo, um livro setecentista chamou sua atenção. Era uma cópia do foral da Vila de Sant’Anna de Mogy Mirim (primeira denominação do que viria a ser Mogi das Cruzes), documento relativo à constituição e estabelecimento iniciais do povoado.

O que despertou a curiosidade de Trindade não foi exatamente o conteúdo do livro – em si mesmo um objeto de interesse histórico, datado de 1748 – mas sim sua capa. Percebendo que a capa de couro do volume havia sido reforçada, o historiador descobriu um revestimento composto de 28 folhas. Levadas para higienização no setor de restauro da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, revelaram tratar-se de 28 papéis de músicas – ou solfas.

Ainda no mesmo ano de 1984, outro pesquisador, Jurandyr Ferraz de Campos, acharia mais uma folha perdida na capa de couro do livro cópia do foral, que havia passado despercebida por Trindade. E, finalmente, em 1990, mais sete folhas que se mostraram parte do mesmo grupo foram encontradas pelo historiador Isaac Grinberg dentro de uma Bíblia pertencente à Ordem Terceira do Carmo de Mogi das Cruzes. No total, foram reunidos 36 papéis de música.

Examinando a coleção desde o primeiro achado de Trindade, ainda nos anos 1980, o musicólogo Régis Duprat, então professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) – e que em 1995 se tornaria professor titular da USP –, constatou tratarem-se dos papéis de música mais antigos de que se tinha notícia no País. Superavam, em mais ou menos 30 anos, o Recitativo e Ária para José Mascarenhas (1759), de autoria anônima, encontrado na Bahia – documento que pertence hoje ao acervo do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP – e tido até então como a obra musical brasileira mais antiga conhecida.

Papel antigo com notas musicais.
Solfas da Ladainha de Nossa Senhora, obra atribuída a Faustino do Prado Xavier, mestre de capela de Mogi das Cruzes entre 1729 e 1731 – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Papel antigo com notas musicais.
Solfas da Ladainha de Nossa Senhora, obra atribuída a Faustino do Prado Xavier, mestre de capela de Mogi das Cruzes entre 1729 e 1731 – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Foi graças à assinatura de Faustino do Prado Xavier (1708-1800), presente em alguns dos documentos, que se sugeriu situá-los entre o final dos anos 20 e início dos anos 30 do século 18. Xavier, que se tornaria padre em Mogi das Cruzes e depois cônego em São Paulo, atuou como mestre de capela da vila de 1729 até 1731, sendo responsável pela música na Igreja Matriz de Santana e nas demais igrejas sob sua jurisdição. Seu nome consta de alguns papéis, assim como o de seu irmão, Ângelo do Prado Xavier – que não era músico, mas é indicado como copista de algumas das obras –, e o de Timóteo Leme do Prado, do qual pouco se conhece.

Conforme explica o professor, documentos apontam a existência de elaboração e interpretação musical no Brasil colonial desde o século 16, sobretudo nas localidades vinculadas aos bispados de Salvador, Olinda e Rio de Janeiro. Comprovantes de pagamento por serviços de músicos dão conta dessa produção. Entretanto, não há registro das próprias composições. Todo esse material se perdeu.

“Graças às pesquisas, sabemos o nome dos compositores e dos mestres de capela e temos toda a burocracia em torno das músicas. Mas não as solfas, os papéis se perderam. Não temos chance alguma de reconstituí-las”, conta o docente. “O que existe é a partir das Solfas de Mogi das Cruzes. Esses são os manuscritos mais antigos que sobreviveram.”

Hoje sob a guarda do Arquivo Histórico Municipal Historiador Isaac Grinberg, em Mogi das Cruzes, as solfas quase foram perdidas para sempre. Isso porque seu achado esteve ligado ao processo de tombamento e restauro das Igrejas das Ordens 1ª e 3ª do Carmo em Mogi das Cruzes, que quase não aconteceu.

Dada a descaracterização e o péssimo estado de conservação dos prédios, nos anos 1960 a própria Província do Carmo, dona dos imóveis, e a Prefeitura se posicionaram contra o tombamento, alegando não haver dinheiro para arcar com as despesas e sugerindo a construção de um novo templo, maior e em estilo moderno. Até mesmo um abaixo-assinado de fiéis veio a público pedindo a interrupção do processo.

Foi preciso a intervenção do arquiteto, urbanista e projetista do Plano Piloto de Brasília Lúcio Costa, então diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), para que um acordo fosse firmado e as igrejas pudessem ser restauradas, processo levado adiante nas décadas de 1970 e 1980. Obras concluídas, planejou-se a exposição de inauguração do Museu de Arte Sacra, movimentação que levaria Trindade ao livro do foral.

Reconstrução poética

A gravação das Solfas de Mogi das Cruzes é a etapa mais recente de uma história que começou com a publicação integral e inédita do fac-simile desses papéis de música e da reconstituição de parte das composições encontradas nos documentos. Rubens Russomano Ricciardi foi convidado pelo produtor Déo Miranda, radicado em Mogi das Cruzes, para ser o responsável pela parte musical do projeto, viabilizado a partir do Programa Rumos Itaú Cultural.

Para assessorar o professor na parte histórica, foi chamado o pesquisador Odair Aparecido de Paula, contribuição que resultaria na assinatura conjunta do livro As Solfas de Mogi das Cruzes, lançado em 2022. A edição reuniu apontamentos históricos e partituras que tornam as músicas executáveis por orquestras e corais contemporâneos.

Entre as 36 folhas encontradas por Trindade, Campos e Grinberg, foram identificadas 12 músicas, sete delas completas ou apresentando poucas lacunas. Estas foram selecionadas pelo professor para a “reconstrução poética” – o termo é dele –, registro em partituras e a gravação do álbum. Com exceção de uma cantiga popular, com letra em português, todas as peças são obras litúrgicas, cantadas em latim.

O trabalho de reconstrução musical das sete peças que aparecem no livro e na gravação foi feito pelo docente diretamente dos manuscritos, uma tarefa que ele define como de exegese e hermenêutica. O professor teve auxílio do estudante de graduação da FFCLRP Lucas Pigari, que realizou a transcrição dos documentos, assessorando em sua edição.

A partir das indicações das vozes constantes nas solfas foram elaboradas as partes instrumentais. O professor escreveu as linhas de violino e viola para as músicas em que a presença do instrumental já era identificada e elaborou, para todas as peças, o baixo contínuo. Trata-se do acompanhamento feito por instrumentos com sonoridade mais grave, como o cravo, o violoncelo e o contrabaixo, marca registrada da música feita no período.

Capa de disco com o desenho de uma igreja.
Capa do Álbum “As Solfas de Mogi das Cruzes”, que foi lançado nas plataformas digitais em 28 de novembro passado – Imagem: Reprodução/ProStudioMasters

A opção de incluir o baixo contínuo, mesmo nas peças vocais com indicação a cappella, levou em conta a importância desse recurso para a música da época na qual as solfas estão situadas. “O baixo contínuo era a prática da época, todos escreviam com esse acompanhamento”, comenta o professor. Ele afirma que, mesmo não recebendo notações escritas, essa realizações harmônicas e melódicas eram tocadas junto aos corais com regularidade, justificando sua reinvenção e inclusão nas partituras.

O professor explica que a noção de “reconstrução poética” é algo novo na musicologia brasileira. O mais comum sempre foi a edição das obras como chegaram até nós, mesmo que o grau de mutilação dos documentos tornasse inviável a interpretação das músicas. Ele é enfático na defesa da posição contrária, a favor da reconstituição das peças, tornando-as acessíveis ao público de hoje.

“Fiz um trabalho de viabilizar a execução contemporânea das obras. Escrevi o que estava faltando tendo em vista as condições poéticas originais”, aponta. “É um exercício de pensar não só a execução das obras, mas também a linguagem de cada compositor, não obstante ser impossível reconstituir suas intenções na totalidade.”

O docente conta que buscou uma reconstrução fidedigna ao estilo da época, à imagem do artesão levantando a parede em ruínas de uma igreja barroca, tendo por inspiração as partes do edifício ainda de pé. “Não existe inovação nenhuma, existe fidelidade histórica”, pontua. “Entrei no estilo de cada composição e escrevi as linhas melódicas e as questões das conduções contrapontísticas da época.”

Fonte: Jornal da USP 
Tags: Brasilgravação mundialManausMúsicanotíciasPortal AMportalamSom

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