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Home Amazônia

Manaus fortalece diagnóstico precoce da hanseníase usando Questionário de Suspeição

Redação por Redação
28 de janeiro de 2026
em Amazônia
Fotos – Divulgação/Semsa

Fotos – Divulgação/Semsa

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O diagnóstico precoce da hanseníase é um dos principais objetivos das equipes da rede de atenção primária à saúde para o controle dessa doença milenar ainda cercada por preconceitos. Dentre os instrumentos que a Prefeitura de Manaus utiliza para identificar a infecção em tempo oportuno, está o Questionário de Suspeição de Hanseníase (QSH), ferramenta que a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) utiliza desde 2022 e que tem se mostrado fundamental para identificar casos de hanseníase no município.

Reunindo perguntas questões que abordam sobre sinais neurológicos e dermatológicos precoces relacionados a doença, a ferramenta é aplicada de forma rotineira pelas equipes nas unidades de saúde, em escolas e nos bairros da capital pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) e ganha reforço na campanha Janeiro Roxo.

A chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase (Nuhan/Semsa), enfermeira Ana Cristina Malveira, assinala a função estratégica do QSH na identificação precoce de casos da doença, uma vez que esse instrumento permite que sinais e sintomas iniciais, que podem passar despercebidos, sejam avaliados. Se a doença é confirmada, o tratamento é logo iniciado.

“O fator tempo é fundamental no tratamento da hanseníase. Quando a doença é identificada rapidamente, a pessoa já pode começar o tratamento, o que já quebra o seu ciclo de transmissão. Outro aspecto importante é que o tratamento em tempo oportuno evita o surgimento de lesões que são irreversíveis, e que além do impacto na saúde física, representam um prejuízo emocional e na vida social dos pacientes. Nesse contexto, o QSH viabiliza um fluxo fundamental para a cura do usuário”, assinala a enfermeira.

Segundo Ana Cristina Malveira, o instrumento, que foi adotado pela Semsa em 2022, já permitiu que de um total 170 casos considerados suspeitos, 22 fossem confirmados.

“A aplicação do questionário segue critérios técnicos definidos pela vigilância em saúde. Ele é direcionado principalmente a pessoas que apresentam sinais e sintomas sugestivos de hanseníase, como manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele com perda de sensibilidade, dormências, formigamentos, fraqueza em mãos e pés, além de histórico de contato próximo com casos confirmados da doença”, explica a enfermeira.

O QSH também é aplicado em grupos populacionais considerados de maior risco, como moradores de áreas com maior vulnerabilidade social, pessoas que vivem em domicílios com aglomeração, e indivíduos atendidos em serviços de saúde por queixas dermatoneurológicas inespecíficas. O objetivo é identificar precocemente quem precisa de avaliação clínica detalhada e encaminhamento oportuno para diagnóstico e tratamento.

A definição das áreas e bairros onde o questionário é aplicado se baseia em critérios epidemiológicos e territoriais. São priorizados locais com histórico recente de casos de hanseníase, altas taxas de detecção, presença de casos em menores de 15 anos, ocorrência de casos com grau 2 de incapacidade no diagnóstico e registros de abandono de tratamento.

Indicadores sociais, como maior densidade populacional, condições precárias de moradia e dificuldade de acesso aos serviços de saúde, também são considerados. A partir da análise desses dados, a vigilância em saúde e as equipes da atenção básica organizam ações de busca ativa em territórios prioritários como feiras, escolas, unidades de saúde e eventos comunitários.

Sinais e sintomas

Devido à evolução lenta da infecção causada pelo Mycobacterium leprae, o diagnóstico precoce da hanseníase é considerado um grande desafio. A doença apresenta um longo período de incubação, variando geralmente entre dois e sete anos, daí a relevância da detecção de sinais e sintomas em tempo oportuno para barrar a transmissão e viabilizar a cura.

A infecção pode se manifestar por meio de manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele, geralmente com perda de sensibilidade ao toque, ao calor ou à dor, além de formigamentos, dormências e fraqueza em mãos e pés.

Muitas pessoas podem conviver com esses sinais por meses ou até anos sem saber que se trata de hanseníase, o que pode gerar atraso no início do tratamento, o que por sua vez aumenta o risco de incapacidades físicas permanentes.

“Cada questionário aplicado representa uma oportunidade de interromper a cadeia de transmissão, proteger famílias inteiras e reduzir o estigma que ainda cerca a doença. Além disso, a detecção precoce contribui para diminuir custos com tratamentos mais complexos e reabilitação, fortalecendo a eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) e promovendo mais qualidade de vida para a população”, acrescenta Cristina.

A profissional de saúde acrescenta que a participação ativa da comunidade é fundamental para mudar o cenário da doença em Manaus. Ao responder ao questionário com atenção e buscar uma unidade de saúde ao perceber qualquer alteração na pele ou nos nervos, cada pessoa está dando uma contribuição fundamental para a saúde individual e coletiva.

Dados do Núcleo de Controle da Hanseníase apontam que em 2025 foram registrados 106 casos novos da doença na capital. Desse total, 10 casos estão relacionados a pessoas menores de 15 anos, mostrando que a transmissão nos grupos familiares e pessoas próximas é um fator determinante na disseminação da infecção.

Tags: hanseníaseManausSaúde

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