O Amazonas apresentou redução nas notificações de violência interpessoal contra idosos em 2024, interrompendo uma sequência de crescimento observada nos últimos anos. Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que a taxa caiu de 79,6 para 65,6 casos por 100 mil habitantes entre 2023 e 2024, uma diminuição de 17,6%.
Apesar da retração no último ano, o cenário ainda preocupa. Em comparação com 2019, quando a taxa era de 50,4 casos por 100 mil habitantes, o estado registra um aumento de 30,2%. Na análise da última década, o crescimento é ainda mais expressivo: a taxa saltou de 24,1 em 2014 para 65,6 em 2024, representando uma alta acumulada de 172,2%.
No Brasil, a tendência foi diferente. A taxa nacional de notificações de violência interpessoal contra idosos passou de 86,6 para 88,4 casos por 100 mil habitantes entre 2023 e 2024, um crescimento de 2,1%. Em relação a 2019, o aumento chega a 43,5%, enquanto, na comparação com 2014, a alta acumulada é de 129%.
Os dados indicam que, embora o Amazonas tenha registrado uma redução recente, o número de notificações permanece muito superior ao observado há dez anos, evidenciando que a violência contra a população idosa continua sendo um importante desafio para as políticas públicas de proteção e garantia de direitos.
O Atlas da Violência também apresenta indicadores sobre as consequências mais graves da violência contra idosos. Em 2024, a taxa nacional de internações hospitalares por agressões foi maior entre os homens (3,0 internações por 100 mil habitantes) do que entre as mulheres (1,7 por 100 mil habitantes), demonstrando uma maior incidência de lesões que demandaram atendimento hospitalar entre a população masculina idosa.
Especialistas ressaltam que o aumento das notificações ao longo dos últimos anos pode refletir tanto a persistência da violência quanto o fortalecimento dos mecanismos de denúncia e da atuação da rede de proteção. Ainda assim, os números reforçam a necessidade de ampliar ações de prevenção, acolhimento das vítimas e responsabilização dos agressores, especialmente diante do envelhecimento da população brasileira.







