Após anos de relativa estabilidade, o Amazonas voltou a registrar um aumento expressivo na mortalidade associada a sinistros de transporte terrestre. Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que a taxa de óbitos no estado passou de 10,8 para 13,9 mortes por 100 mil habitantes entre 2023 e 2024, um crescimento de 28,7%, o maior avanço observado no período recente.
O levantamento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela ainda que, na comparação com 2019, a taxa cresceu 36,3%, enquanto em relação a 2014 o aumento foi de 8,6%.
Em números absolutos, o Amazonas também apresentou crescimento significativo. O total de mortes associadas a sinistros no transporte terrestre saltou de 440 óbitos em 2023 para 571 em 2024, uma elevação de 29,8%. Na comparação com 2019, quando foram registradas 400 mortes, o aumento chega a 42,8%.
O cenário estadual contrasta com a tendência observada no Brasil ao longo da última década. Nacionalmente, a taxa de mortes no trânsito caiu de 21,9 para 17,5 óbitos por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024, uma redução de 20,1%. Apesar da queda acumulada, o país também apresentou aumento recente: a taxa nacional passou de 16,5 em 2023 para 17,5 em 2024, crescimento de 6,1%.
Os dados indicam que, embora o Brasil mantenha uma trajetória de redução das mortes no trânsito quando analisado o período de dez anos, o avanço registrado em 2024 acende um alerta. No Amazonas, o crescimento foi quase cinco vezes superior ao observado na média nacional, interrompendo a estabilidade registrada entre 2020 e 2023.
Especialistas apontam que a análise desses indicadores é fundamental para orientar políticas públicas voltadas à segurança viária, fiscalização, educação para o trânsito e melhoria da infraestrutura. O Atlas da Violência destaca que o monitoramento contínuo desses dados permite identificar tendências e subsidiar ações capazes de reduzir a letalidade nas vias brasileiras.
A edição de 2026 do Atlas da Violência marca os dez anos da publicação, consolidada como uma das principais referências nacionais para a análise de indicadores de violência e mortalidade. Além dos estudos atualizados, o relatório apresenta uma plataforma digital reformulada, com ferramentas que ampliam o acesso e a visualização da série histórica de dados.








