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Autor une lendas medievais europeias e indígenas para contar a história da salvação do universo

Inspirado na peregrinação do "Caminho de Santiago de Compostela" e nas lendas e histórias de assombração que ouvia de sua mãe, o escritor Jose Nelson Freitas escreveu o livro "O Chamado", primeiro volume da trilogia "O Segredo do Caminho"

Redação por Redação
15 de julho de 2023
em Cultura
Foto: Reprodução / Agência Brasil

Foto: Reprodução / Agência Brasil

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Ao chegar em Saint-Jean-Pied-de-Port, pequena cidade francesa, ponto inicial do “Caminho de Santigo de Compostela”, o escritor piauiense Jose Nelson Freitas Farias sentiu um chamado. Embevecido pela paisagem medieval, foi transportado em memórias para as histórias que ouvia na infância e adolescência. Soube naquele momento que precisava colocar todas as experiências que viveu e viveria na peregrinação em um livro. Começava a nascer naquele momento a trilogia “O Segredo do Caminho”, da Coleção os Guardiões do Caminho – O Colar Universal, cujo primeiro volume “O Chamado” foi recentemente publicado.

No segundo dia após sua inspiração, antes de chegar a Roncesvales, na Espanha, admirando o vale, do alto dos Pirineus, Jose Nelson já estava com o enredo e os primeiros personagens construídos. Pedras no caminho com nomes de pessoas; uma cruz no céu feita por uma nuvem; o céu vermelho-sangue como obra de Salvador Dalí, tudo foi armazenado na mente do escritor e na memória de seu celular, servindo como material para compor o livro. As pessoas que conheceu durante a peregrinação também serviram de inspiração. “Quase todos os personagens contidos na história esteve conosco nesta epopeia humana. Foi assim que vi cada um deles”, conta.

A obra, contudo, não se resume aos acontecidos no “Caminho de Santiago de Compostela”. O autor também buscou referências em sua época de menino vivida em Parnaíba, Piauí, e em Araioses, no Maranhão: nas brincadeiras de herói e bandido e esconde-esconde com os amigos; nos cantadores de cordel e os repentistas que ouvia no Mercado Municipal e nas histórias de assombração e lendas (Mula Sem Cabeça, Bumba-Meu-Boi, Castigo do Castelo de Pedra, entre outras), que eram contadas por sua mãe, sua irmã e tia.

As múltiplas, diversas e ricas fontes de inspiração de Jose Nelson só poderiam desembocar em um enredo audacioso e inusitado. Nele, lendas medievais europeias e indígenas desfilam em um universo fantástico, apresentado com muita capacidade de imaginação e senso de criatividade. Se, no começo, o leitor não pode deixar de sentir certa estranheza com essa mistura inesperada, assim que adentra as matas fechadas da trama, aprofundando-se em suas saborosas histórias, é arrebatado por um deleite e por uma curiosidade, que deixa a ele uma única opção: seguir a leitura e terminá-la, mesmo sabendo que sentirá saudades da trama e dos personagens.

O enredo

Em “O Chamado”, o primeiro volume da trilogia “O Segredo do Caminho”, os leitores são apresentados aos personagens e iniciados na trama. “Em tempos imemoriais, antes do início de uma nova era, quando todas as galáxias já estavam povoadas e vivia-se em plena luz e harmonia, havia um terrível segredo compartilhado pelos Magos e pela Ordem dos Cavaleiros, uma legião de homens e mulheres dotados de sabedoria singular e profundo conhecimento de magia e das leis da natureza”, conta o autor. Este segredo, baseado na Teoria do Colapso Total, complementa: diz que certo dia e hora ocorrerá o alinhamento das galáxias, provocando o desequilíbrio e a destruição do universo.

A fim de evitar que o destino catastrófico do universo se cumpra, o líder dos magos, Anacom, “o homem mais sábio e poderoso de seu tempo”, reúne todo o conhecimento possível sobre o tema e com a ajuda dos demais magos elabora um plano: ungir 33 pedras com poderes mágicos e lançá-las no espaço, para que fiquem vagando, absorvendo a energia do cosmo, de tal maneira que angariem força suficiente para evitar o alinhamento das galáxias. A dificuldade do plano é que essas pedras deverão cair todas, aleatoriamente, em um único planeta e precisarão ser resgatadas e reunidas na forma de um Colar Universal, objeto poderoso que permitirá que o caos continue em equilíbrio.

E mais ainda: a missão de resgate caberá apenas a um ser oriundo do planeta em que as pedras caíram. Este deverá ser íntegro, dotado de uma coragem incomum e espírito de aventura, para ser “capaz de comandar uma legião de guerreiros, vindos de todas as galáxias e vencer os desafios mortais que encontrará pelo caminho”. A ele se unirá um ser feminino, com a exclusiva função de carregar o colar depois de formado. Este ser, por ter o dom da vida, “será o único com força o suficiente para carregar o objeto mais importante e poderoso do universo e defendê-lo com a própria vida”.

Por artimanha de um mago chamado Trentoi, que não acredita na iminência da destruição do universo, as pedras se desviam de sua trajetória original e acabam caindo em um planeta longínquo chamado Terra. Dele, os responsáveis pelo plano sabem pouquíssimo. “As poucas informações disponíveis a respeito desse planeta citam criaturas terríveis, sem nome, conhecidas em lendas e histórias contadas pelos antigos para assustar crianças”, relata o autor.

Através de um chamado que vai até eles por meio de sonhos, o homem e a mulher escolhidos pelos magos para encontrar as pedras e carregar o colar são os indígenas Yakekan e sua mulher Anahi, ambos da nação Tupi Guarani, “que vivem nos confins da Floresta Amazônica”. Na companhia de outros 12 guerreiros, ambos partem para uma terra que Yakekan vislumbrou apenas em devaneios e para uma missão que têm a certeza de que devem aceitar, mas sem saber o porquê e nem como a cumprirão. Na trajetória para salvar o universo terão que cruzar sete portais e enfrentar os mais difíceis desafios.

Após caminharem alguns dias pela floresta, os guerreiros constroem uma embarcação, a igapeba, e cruzam o rio em direção ao mar, enfrentando o sol, a fome e a sede e uma gigantesca onda, antes de aportarem em uma terra estranha. Este lugar não é nominado, mas, por sua descrição, percebemos que é inspirado na Europa medieval. Em uma grande construção encravada na rocha, situada em uma cidadezinha protegida por uma muralha, com castelos e torres, os indígenas se reúnem com representantes dos magos. Eles explicam aos heróis a missão para o qual foram designados, concedendo-lhes um mapa (que marca a proximidade dos portais) e alguns poderes mágicos, para os ajudarem a se livrar de enrascadas.

Yakekan, Anahi e os 12 guerreiros indígenas seguem em busca das pedras e no meio do caminho encontram aliados e inimigos. Entre os que se juntam para ajudá-los a completar a missão estão: guerreiros de diversos rincões do planeta, animais gigantescos e exóticos e figuras mitológicas. Entre os que engrossam as fileiras inimigas estão: monstros de pedra, um gigante ciclópico e seres com olhos flamejantes.

A batalha derradeira do livro acontece ante um cruzeiro e duas colunas gigantescas de onde emanam fachos de luz azuis que transformam em pó todos que tentam ultrapassá-las. A situação piora quando um exército comandado por um rei com ganas de dominar o mundo deixa como única alternativa aos heróis uma guerra, onde as chances de serem dizimados é muito grande. A salvação vem do céu. Os hoatizns, grandes pássaros com penas multicoloridas, de longas asas e longas pernas acodem Yakekan, Anahi e seus demais companheiros, levando-os para outras aventuras, que serão contadas nos outros livros da saga.

Projeto ambicioso

Além de uma engenhosa trama, repleta de aventuras de tirar o fôlego, o primeiro volume da trilogia “O Segredo do Caminho”, destaca-se pela minúcia de detalhes com que são descritos paisagens e personagens acessórios. No início da trama, quando Anacom promove um encontro com seres dos mais variados planetas e galáxias para confabular sobre os planos para impedir o domínio do caos, somos premiados com retratos vívidos de diversos povos ilustres do universo. Ainda nessa parte, Jose Nelson encanta o leitor ao descrever as diversas espécies de plantas e animais que compõem o lago de cristal, obra portentosa especialmente construída para o encontro.

No núcleo indígena, também, antes e depois da travessia começar, não faltam explicações sobre os costumes do povo ao qual pertencem Yakekan e Anahi. Feitas sempre com muito cuidado, descrições de suas formas de habitação, do Kuarup, ritual em homenagem aos mortos, e de torneios esportivos, cumprem uma dupla função: contextualizar a história dos heróis, tornando-a mais rica, e educar os leitores a respeito da cultura dos povos originários, algo sempre muito importante.

Jose Nelson pretende e alcança com este livro um projeto ambicioso. Une diversos mundos e culturas, a partir de experiências recentes e remotas, mas que nunca foram esquecidas. “O ‘Segredo do Caminho’ sempre esteve em mim, de alguma forma, e agora ele nasce como um filho já adulto. Os encantos da infância, em Parnaíba, no Piauí, e no Paicaetano, em Araioses, no Maranhão, foram a pedra de toque para construir essa história de lutas, guerras, batalhas individuais, envolvendo misticismo, magias, crenças, feitiçaria, ciência e um pouco de criatividade”, diz o autor, que há muito foi encantado por histórias variadas e agora nos encanta com seu livro.

Tags: Autorsalvação do universo

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