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Camarão gigante invasor avança sobre áreas protegidas no Brasil

Redação por Redação
13 de maio de 2026
em Meio Ambiente
Camarão gigante invasor avança sobre áreas protegidas no Brasil

Foto: Jarek Tuszyński via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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A presença sorrateira e cada vez mais persistente de uma espécie exótica nos ecossistemas costeiros do Brasil vem acendendo inúmeros alertas entre cientistas, pescadores e gestores ambientais: trata-se do camarão-gigante-da-malásia (Macrobrachium rosenbergii).

Introduzido no país no final do século 20 para abastecer o crescente setor de aquicultura, o animal não se limita mais à criação em cativeiro. Com o tempo, a espécie se estabeleceu em ambientes naturais extremamente sensíveis, incluindo áreas protegidas.

Um estudo realizado por pesquisadores do Brasil e do Uruguai, publicado em fevereiro, revelou a dimensão do problema e esmiuçou os riscos ecológicos e ambientais associados à “invasão” do camarão gigante — aspectos negativos que, segundo os especialistas, podem se intensificar nos próximos anos.

Liderada pelo oceanógrafo Edison Barbieri, diretor do Núcleo Regional de Pesquisa do Litoral Sul, do Instituto de Pesca de São Paulo, a pesquisa foi motivada pela preocupação crescente da comunidade científica diante das invasões biológicas em ecossistemas estuarinos. Esses sistemas, que também incluem os manguezais, estão localizados em áreas de transição entre rios e o oceano e são amplamente reconhecidos por sua biodiversidade.

As zonas estuarinas servem como berçários para inúmeras espécies aquáticas, incluindo peixes e crustáceos cuja importância ecológica se soma ao seu potencial econômico. Ao mesmo tempo, esses ambientes transicionais delicados são suscetíveis à introdução de espécies exóticas, que passam a competir com a fauna nativa por diferentes recursos vitais.

Segundo Barbieri, o estudo — conduzido entre 2015 e 2025 — partiu de uma constatação: ainda que o camarão intruso tivesse sido registrado em diferentes regiões do Brasil, não havia monitoramento sistemático em áreas de conservação. “A introdução acidental ou intencional de espécies por meio da aquicultura já havia sido observada, mas não sabíamos até que ponto isso afetava as unidades de conservação costeiras.”

Assim, o trabalho reuniu uma equipe multidisciplinar e combinou diferentes metodologias para mapear a ocorrência da espécie, avaliar sua distribuição e, principalmente, identificar seu potencial de impacto na fauna nativa. “Para isso, utilizamos quatro abordagens principais: amostragem de campo, monitoramento participativo com pescadores artesanais, consulta a bancos de dados e revisão da literatura científica”, disse Barbieri à Mongabay.

Os esforços foram concentrados no Complexo Estuarino-Lagunar de Cananéia-Iguape-Ilha Comprida, no extremo sul do estado de São Paulo. A área litorânea é reconhecida pela Unesco como parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e como Patrimônio Mundial Natural, abrangendo pontos importantes — como a Área de Proteção Ambiental (APA) Ilha Comprida, que abriga mata de restinga, dunas, praias e manguezais.

A relevância do complexo ambiental também foi reconhecida pela Convenção de Ramsar, no Irã, em 1971. Segundo o governo brasileiro, esse tratado intergovernamental “estabelece marcos para ações nacionais e para a cooperação entre países com o objetivo de promover a conservação e o uso racional de áreas úmidas no mundo”.

Conforme explicou Barbieri, a presença da espécie exótica no biodiverso litoral paulista é significativa e resultou em dados expressivos. “Entre 2015 e 2025, acompanhamos a presença do camarão invasor no local, contando com a colaboração ativa de pescadores da região. Ao todo, registramos 68 ocorrências únicas de M. rosenbergii em 10 áreas protegidas ao longo da costa brasileira.”

A maioria desses registros (44) ocorreu em APAs, onde o uso sustentável dos recursos naturais é permitido. No entanto, alguns trechos dessas mesmas áreas são pontos ambientais que exigem proteção absoluta, o que aumenta os riscos associados à presença do longilíneo camarão forasteiro. “No estuário da Cananéia, por exemplo, foram capturados 90 indivíduos ao longo de uma década de monitoramento”, disse o pesquisador.

Um invasor que se sente em casa

A fácil reprodução da espécie em ambiente natural é, por si só, mais preocupante do que sua presença na costa brasileira. A pesquisa sustentou esse indicativo ao identificar fêmeas ovígeras — que carregam ovos fertilizados —, o que provou a ocorrência do ciclo reprodutivo no ecossistema. Segundo Barbieri, “isso indica que a espécie não apenas sobrevive, mas [que] está efetivamente estabelecida”.

Outro dado considerado relevante é o padrão sazonal observado nas capturas. A maior incidência de camarões invasores ocorre nos meses mais quentes, especialmente entre a primavera e o verão do Brasil. Isso sugere uma relação direta entre a ocorrência dos crustáceos e a temperatura da água. Em um contexto de mudanças climáticas, que torna o aquecimento dos oceanos uma realidade global, as novas condições marinhas podem favorecer ainda mais a proliferação da espécie invasora.

Ernesto Brugnoli Olivera, professor adjunto de Oceanografia e Ecologia Marinha da Universidad de la Republica (Uruguai) e um dos coautores do estudo, destaca outros atributos que facilitam uma jornada invasora “de sucesso” ao camarão: sua ampla tolerância térmica e sua plasticidade ecológica. “Trata-se de uma espécie altamente adaptável, capaz de sobreviver em diferentes condições de salinidade e temperatura, o que facilita sua dispersão em ambientes estuarinos e de água doce”, disse.

A origem da invasão está diretamente ligada à atividade aquícola.

Introduzido no Brasil na década de 1970 para o cultivo comercial, o camarão-da-malásia, como também é conhecido, passou a escapar dos viveiros e a colonizar ambientes naturais pouco a pouco. Hoje, sua distribuição já não encontra fronteiras: há registros da espécie tanto no Norte quanto no Sul do país.

Os impactos são variados. Especialistas destacam a competição por alimento, abrigo e espaço entre o intruso e espécies nativas, como o camarão-da-amazônia (Macrobrachium amazonicum). A batalha travada por eles, segundo alerta a ciência, pode levar à redução das populações locais e à alteração estrutural das comunidades aquáticas.

O mapa, disponível no estudo, mostra regiões de ocorrência do camarão invasor.

Além disso, o camarão vindo de fora é considerado um vetor de patógenos, como a síndrome da mancha branca — um vírus perigoso que, em várias partes do mundo, já causou prejuízos significativos à carcinicultura, como é chamada a técnica de criação de camarões (marinhos ou de água doce) em viveiros.

Caso esses animais se proliferem em ambientes naturais, doenças de difícil manejo podem provocar efeitos em cadeia na fauna de crustáceos.

Os efeitos ecológicos também se estendem à cadeia alimentar: como predador oportunista, o M. rosenbergii pode alterar as relações tróficas nos ecossistemas estuarinos, afetando não apenas outros crustáceos, mas também peixes e organismos de menor tamanho. Futuramente, isso poderia resultar em um quadro de desequilíbrio ecossistêmico potencialmente irreversível.

Impactos na atividade pesqueira

Embora o estudo não tenha produzido informações consolidadas sobre os impactos socioeconômicos associados ao avanço do camarão, muitos pescadores já relatam uma série de mudanças em seu dia a dia de trabalho.

É o caso de Nilson Monteiro do Nascimento, pescador há 40 anos no município de Curuçá, no litoral nordeste do Pará. Ele contou à Mongabay que tem observado uma transformação “preocupante”. Segundo Nilson, a presença de espécies invasoras, como o camarão-da-malásia e o camarão-tigre-gigante (Penaeus monodon), coincidiu com o desaparecimento de espécies regionais. “Hoje, para pegar 5 ou 10 quilos [de camarão nativo], é muito difícil. Antes, a gente trabalhava com toneladas por semana.”

Nilson endossa a preocupação dos cientistas e destaca o comportamento predatório dessas espécies, que se alimentam não apenas de camarões comuns, mas também de outros organismos costeiros endêmicos. “A gente percebe que ele come os outros camarões, inclusive os das cabeceiras de água doce. Isso foi acabando com a nossa produção.”

A escassez de camarões outrora abundantes na costa paraense afeta diretamente a renda das comunidades que dependem da pesca artesanal, levando muitos trabalhadores a buscar alternativas para se sustentar. “A gente está tendo que se reinventar”, lamentou Nilson.

Na visão dos pesquisadores, o relato reforça a importância do monitoramento participativo adotado durante o estudo. Ao envolver pescadores no processo de coleta de dados, o trabalho ampliou sua base de informações e fortaleceu o diálogo entre a ciência e as comunidades locais.

Segundo Barbieri, diante de queixas como essa, é necessário agir rápido: “É urgente a implementação de programas contínuos de monitoramento, a revisão dos critérios de licenciamento ambiental para empreendimentos aquícolas e a realização de estudos mais aprofundados sobre as interações entre espécies nativas e invasoras.”

Os autores também pedem a criação de políticas públicas mais rigorosas, já que a presença do camarão invasor em áreas protegidas demonstra que as fronteiras legais não são suficientes para conter a ameaça. “Precisamos de vigilância reforçada e de medidas efetivas de controle. A invasão em Cananéia — um patrimônio natural — simboliza uma falha na prevenção e no controle de espécies exóticas associadas à aquicultura”, disseram.

Ao trazer evidências concretas da presença e do estabelecimento da espécie nos biomas brasileiros, o estudo abre caminho para a tomada de decisões. Mas, como os próprios autores reforçaram em entrevista, o tempo é um fator crítico: quanto maior for o atraso na criação de medidas mitigadoras, maiores podem ser os custos ambientais, econômicos e sociais.

Por Evanildo da Silveira via Mongabay

Tags: camarãogiganteInvasor

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