Os atletas se encontram em uma encruzilhada digital, onde a conexão com as redes midiáticas é constante, porém, nem sempre benéfica. Esse contato incessante muitas vezes os expõe excessivamente, gerando uma falta de privacidade e, com isso, passam a receber elogios, mas também as críticas. Em muitas situações, essas críticas são “fora do tom”, o que pode afetar profundamente a saúde mental dos atletas. Recentemente, o jogador de futebol Luiz Gustavo, do São Paulo, revelou não ter redes sociais depois da Copa do Mundo de 2014, devido às fortes críticas e ameaças sofridas após a competição. O jogador relatou que encontrou a paz depois de tomar tal decisão.

Outro exemplo é o do jogador francês Karim Benzema, que após as fortes ameaças dos torcedores do Al-Ittihad, da Arábia Saudita, seu novo clube, por conta do rendimento abaixo do esperado, excluiu todas as suas contas para se blindar das críticas. “Nas mídias sociais, as redes sociais hoje trazem um feedback imediato e não há um filtro. Esses atletas podem sofrem com exposições que impactam negativamente a sua autoestima”, avalia o professor Hugo Tourinho Filho, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP.
Ainda segundo Tourinho Filho, as críticas e comentários maldosos podem desenvolver transtornos mentais, “os atletas podem sofrer com ansiedade e depressão”. Com a autoestima afetada e o desenvolvimento de transtornos mentais, o rendimento do atleta tende a cair de maneira significativa, causando a desvalorização da sua imagem e afetando de maneira mais intensa a saúde mental.
Em alguns casos, a responsabilidade pelo baixo rendimento não é só devido às críticas, mas sim do próprio atleta. “A uso das redes sociais vem prejudicando o sono dos atletas, são vários os treinadores que, atualmente, reclamam dessa dependência dos aplicativos, inclusive de madrugada, o que prejudica o sono e, consequentemente a recuperação”, pontua Tourinho Filho.
A falta de comunicação entre atletas e dirigentes também passou a ser uma preocupação, já que antes os vestiários e centro de treinamentos eram um espaço para se conversar, discutir táticas, estratégias e para falar sobre os objetivos nas competições. “Hoje, essa dependência das redes sociais, de certa forma, prejudica muito a comunicação entre os próprios atletas.”
Fonte: Ferraz Junior








