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Igreja Católica perde fiéis , enquanto a Evangélica e os sem religião crescem, no Amazonas

Na região Norte, a predominância, entre 7,3 milhões de pessoas, de 10 anos ou mais de idade, foi da religião Católica

Redação por Redação
9 de junho de 2025
em Amazônia
Foto: Divulgação/Catedral Metropolitana de Manaus

Foto: Divulgação/Catedral Metropolitana de Manaus

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Entre os Censos de 2010 e 2022, o cenário religioso ,no Amazonas, para a população com 10 anos ou mais de idade, passou por transformações significativas. A Igreja Católica Apostólica Romana registrou uma acentuada queda de 12,6 pontos percentuais, passando de 60,01% para 47,39% do total da população. Em contrapartida, a religião Evangélica experimentou crescimento de 8,81 pontos percentuais, saltando de 30,56% para 39,37% do total. Houve também um incremento de 1,34 pontos percentuais para a população “sem religião”, que subiu de 6,04% para 7,38%. Por sua vez, o Espiritismo teve uma leve redução de 0,10 ponto percentual; as religiões de matriz africana, como Umbanda e Candomblé, apresentaram um aumento de 0,27 ponto percentual, passando de 0,06% para 0,33%. As pessoas que não souberam identificar sua religiosidade mantiveram-se em 0,08%.

Na região Norte, a predominância, entre 7,3 milhões de pessoas, de 10 anos ou mais de idade, foi da religião Católica (50,48%); seguida pela Evangélica (36,79%); por outras religiosidades (3,38%); por pessoas sem religião (8,19%); pelo Espiritismo(0,43%); pela Umbanda e Candomblé (0,30%); por tradições indígenas (0,22%); por pessoas que não declararam religião (0,14%); e por pessoas que informaram não saber a qual religião pertenciam (0,06%). No Brasil, entre o total de 100,2 milhões de pessoas, na mesma faixa etária, também predominou a fé católica (56,75%); seguida pela evangélica (26,85%); por pessoas sem religião (9,28%); por pessoas adeptas a outra religiosidade (4,01%); por pessoas que informaram ser espíritas (1,84%); por seguidores da Umbanda e Candomblé (1,05%); por pessoas que não declararam religiosidade (0,11%); por pessoas que seguiam tradições indígenas (0,06%); e por aquelas que informaram não saber qual religião seguiam (0,05%).

Os dados, divulgados hoje, 06, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são do Censo de 2022 sobre “Religião – Resultados Preliminares da Amostra”. Além do interesse de especialistas acadêmicos pelos dados censitários sobre essa matéria, o IBGE compreende que sua divulgação, certamente, também atrai a atenção de fiéis e líderes religiosos, que reivindicam a representação adequada das religiões e cultos professados no país, nas estatísticas oficiais.

Mudança de metodologia em mais de 150 anos de pesquisa censitária

Desde o primeiro Censo Demográfico Brasileiro, realizado em 1872, a religião tem sido alvo de investigação censitária. Ao longo das operações censitárias, porém, a forma de coleta e divulgação desta informação passou por transformações relevantes. Em 1872, o recenseador deveria assinalar se cada morador recenseado era “cathólico” ou “acathólico”, conforme grafia da época. Cabe ressaltar que toda a população escravizada foi então recenseada como católica, sem possibilidade de declaração de outra religiosidade.

O tema foi tratado em operações censitárias posteriores, com opção de campo aberto ou ainda sem opções definidas. Isto ocorreu nos anos de 1890, 1900 e 1940. Em 1960 e 1970 a investigação censitária utilizou opções de campo fechado, ou ainda aquelas com opções previamente definidas.

Em 1980 voltou a pesquisa voltou a ter campo aberto e este formato se mantém até os dias atuais. A divulgação trouxe como novidade pela primeira vez uma categoria voltada as religiões afro-brasileiras, com a categoria “espírita afro-brasileira”. No Censo Demográfico de 1991 o quesito teve sua redação alterada para “religião ou culto”, o que também se manteve nas operações censitárias seguintes.

Todas as vertentes religiosas foram investigadas através do quesito “Qual é sua religião ou culto?”, de campo aberto. Porém, em setores localizados em terras indígenas e agrupamentos indígenas o quesito foi aplicado de forma diferenciada, com a redação indagando “Qual a crença, ritual indígena ou religião” da pessoa entrevistada.

Apesar de algumas diferenças metodológicas na aplicação do quesito “religião” ao longo dos Censos, entre 1872 e 2022, os resultados deste conjunto de operações censitárias podem ser usados para apresentar, de forma geral, alguns traços da transformação do cenário religioso no Brasil. É possível ver que o Censo Demográfico de 1872 registrou que 99,7% da população brasileira ,de então, era “cathólica”. Contudo, nas décadas seguintes, o estabelecimento de uma liberdade religiosa mais ampla na Constituição de 1891 facilitou a opção por outras religiões – movimento fortalecido também pela abolição escravatura. Os fluxos migratórios do final do século XIX e início do século XX, como de alemães, ucranianos e japoneses, introduziram no país o protestantismo, o cristianismo ortodoxo, o judaísmo, o budismo e o xintoísmo. O mesmo período é marcado também por uma relativa popularização do Espiritismo no país.

No Amazonas, quantitativo da população católica diminui em mais de 12 pontos percentuais e a evangélica cresce mais de 8 pontos

Entre as operações censitárias de 2010 e 2022, no Amazonas, a Igreja Católica Apostólica Romana apresentou redução de 12,6 pontos percentuais no número de adeptos, saindo de 60,01% para 47,39% do total da população, de 10 anos ou mais. Por outro lado, a religião Evangélica, no mesmo período, passou de 30,56% da população para 39,37%. O aumento foi de 8,81 pontos percentuais no número de fiéis, em 12 anos.

As pessoas que optaram por “outras religiosidades” saíram de 2,77%, em 2010, para 4,57% em 2022. O aumento foi de 1,8 ponto percentual. O número de pessoas sem religião, no mesmo período, cresceu em 1,34 pontos percentuais, saindo de 6,04% da população, em 2010, para 7,38% em 2022. Já o percentual de pessoas adeptas ao Espiritismo teve queda de 0,10 pontos, na comparação dos dois últimos Censos.

O percentual de pessoas ligadas a religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé, passou de 0,06%, em 2010, para 0,33% da população, em 2022. O crescimento foi de 0,27%. Pessoas que não souberam identificar sua religiosidade permaneceram com percentual de 0,08%, entre 2010 e 2022. Já aquelas que não declararam religião, e que não apareceram em 2010, no Censo posterior ,de 2022, despontaram com percentual de 0,16% do total da população, com 10 anos ou mais de idade.

População evangélica do Amazonas é a terceira maior do país

O Amazonas (47,39%) ficou na 23a posição, em 2022, na proporção percentual de católicos, comparando as 27 Unidades da Federação. Entre os estados do país, 13 contavam com proporção de católicos apostólicos romanos superior à média nacional (56,7%), entre a população com 10 anos ou mais de idade. A maior proporção foi registrada no Piauí (77,4%), que também é o estado com menor percentual de evangélicos (15,6%). As menores proporções de católicos apostólicos romanos foram encontradas em Roraima (37,9%), Rio de Janeiro (38,9) e Acre (38,9%).

Em relação aos evangélicos, o Amazonas ficou na terceira posição, entre as Unidades da Federação com uma percentual de 39,37%. O maior percentual foi registrado no Acre (44,4%) e o menor no Piauí (15,6%). No Espiritismo, o Amazonas ficou na 24a posição entre os estados, com percentual de 0,38% da população. A maior proporção de espíritas foi encontrada no Rio de Janeiro (3,5%).

Entre os praticantes de Umbanda e Candomblé, o Amazonas, com 0,33% ficou na vigésima posição entre as Unidades da Federação. O maior percentual deste grupo foi registrado no Rio Grande do Sul (3,2%) . Entre os sem religião, o estado apresentou percentual de 7,38% da população, em 2022, ficando na 18a posição entre os estados do país. Entre as Unidades da Federação, Roraima registrou a maior proporção de pessoas sem religião (16,9%), de outras religiosidades (7,8%) e de adeptos de tradições indígenas (1,7%).

O Censo 2022 mostrou que a população que se declara sem religião continua aumentando, passando de 7,9% em 2010, para 9,3% em 2022, chegando a 16,4 milhões neste último Censo. A maioria são homens, que representam 56,2% ou 9,2 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade.

Considerando as pessoas que optaram por “outras religiosidades”, o Amazonas ficou na quinta posição, entre as Unidades da Federação, com percentual de 4,57% da população. Já entre as pessoas que escolheram tradições indígenas o Amazonas, da mesma forma que Mato Grosso, apresentou percentual de 0,35% da população e ficou na terceira posição do ranking nacional, perdendo para Roraima (1,67%) e Acre (0,47%) .

Religião por município

Em 2010, a religião Católica Apostólica Romana, predominava na maioria dos municípios do Amazonas, em alguns essa proporção chegava a mais de 70%, e em apenas um município (Atalaia do Norte), essa proporção era menor que 50%. Em 2022, a proporção de adeptos da religião Católica Apostólica Romana caiu drasticamente, e em apenas quatro municípios essa proporção ficou acima de 70% enquanto, em mais da metade dos municípios do estado, a proporção ficou abaixo de 50%.

Por outro lado, os adeptos das religiões Evangélicas, que em nenhum município compreendiam mais de 50% dos religiosos ,em 2010, alcançaram mais de 50% em sete municípios, em 2022.

As maiores reduções no número de adeptos da religião Católica Apostólica Romana aconteceram nos municípios Juruá e Itamarati, onde a proporção de adeptos caiu 32,7 e 31,4 pontos percentuais, respectivamente. Em Juruá, em 2010, a proporção de praticantes no município era de 66,9% e caiu para 34,2%, em 2022. Já em Itamarati, esse número era de 78,1% e foi para 46,7% ,em 2022.

Por outro lado, os maiores aumentos na proporção de praticantes da religião Católica Apostólica Romana aconteceram nos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Boa Vista do Ramos. Em Santa Isabel do Rio Negro, o aumento foi de 7,2 pontos percentuais, saindo de 60,8% de adeptos no município para 68%, em 2022. Em Boa Vista do Ramos, esse aumento foi dois pontos percentuais, saindo de 72,5% para 74,5% em 2022, passando a ser o segundo município com a maior concentração de praticantes da religião Católica Apostólica Romana, no estado, atrás apenas de Nhamundá, com 82,3%.

As maiores mudanças nas proporções de adeptos das religiões Evangélicas aconteceram em Itamarati e Carauari, que tiveram os maiores aumentos, e em Boa Vista do Ramos e Urucurituba, que tiveram as maiores quedas. Em Itamarati, o aumento foi de 26,1 pontos percentuais, saindo de 13,7% de praticantes das religiões Evangélicas em 2010 para 39,8% em 2022, enquanto em Carauari, o aumento foi de 24,1 pontos percentuais, saindo de 22,7% para 46,8% em 2022. Já em Boa Vista do Ramos e Urucurituba, as reduções foram de 3,1 e 2,5 pontos percentuais, respectivamente.

O Censo Demográfico 2022 mostrou um aumento da presença dos outros grupos religiosos nos municípios do estado. O Espiritismo, que em 2010 estava presente em 29 municípios foi constatado em 36 municípios em 2022, com Envira tendo a maior proporção dentre os municípios, com 0,77%. As religiões Umbanda e Candomblé, que apresentou números em apenas oito municípios em 2010, foi encontrada em 44 municípios em 2022, com Manaus tendo a maior proporção de praticantes (0,53%), seguida de Iranduba (0,44%).

Mulheres são maioria na religião Evangélica e homens tem maior percentual na Católica

Entre os 3,2 milhões de pessoas residentes no Amazonas, de 10 anos ou mais de idade, no último Censo, 49,7% (1.6 milhão) eram homens e 50,3% (1,6 milhão) mulheres. Do total de homens e mulheres, respectivamente, 24,1% e 23,3%, disseram professar a fé católica. Entre os que disseram ser evangélicos, estavam 18,5% dos homens e 20,9% das mulheres. No Espiritismo apareceram na pesquisa 0,2% de homens e 0,2% de mulheres. Nas religiões de matriz africana (Umbanda e Candomblé) a pesquisa censitária identificou também 0,2% de homens e 0,2% de mulheres. Nas tradições indígenas os percentuais, tanto para homens quanto para mulheres, ficaram em 0,2%. Entre aqueles que optaram por outras religiosidades apareceram 2,2% de homens e 2,4% de mulheres. Os percentuais aumentaram com relação àqueles que disseram não ter religião. Ao todo 4,2% dos homens e 3,2% das mulheres. Entre os que não souberam identificar sua religiosidade, o Censo identificou 0,1% de homens e não identificou mulheres. Já entre os que não declararam religiosidade foram encontrados 0,1% dos homens e 0,1% das mulheres.

Maioria dos católicos e evangélicos tinham entre 30 e 39 anos, no último Censo

Entre os católicos, de 10 anos ou mais de idade, identificados no Censo de 2022, a maioria (8,5%) estava na faixa etária de 30 a 39 anos. No mesmo grupo de idade também estavam a maioria dos evangélicos; as pessoas cuja opção religiosa era a Umbanda e o Candomblé; as pessoas ligadas a outras religiosidades; as pessoas que disseram não ter religião; e aquelas que não souberam dizer a qual religião pertenciam. Os grupos de faixa etária que se diferenciaram foram o das pessoas que seguiam o Espiritismo, onde a maioria (0,1%) apareceu na faixa etária de 40 a 49 anos e também o grupo das pessoas que seguiam tradições indígenas com maioria predominando na faixa etária de 10 a 14 anos de idade.

Maiores percentuais de pessoas com domicílio próprio eram católicos e evangélicos, respectivamente

Quando a pesquisa considerou a condição de ocupação de domicílios, por religião, foi verificado que católicos (38,29%) e evangélicos (30,83%) tinham maiores percentuais de pessoas com domicílio próprio, de algum morador. Entre os espíritas esse percentual, nas mesmas condições, ficou em 0,28%; entre pessoas de religiões de matriz africana 0,20% tinha domicílio próprio. Já entre aquelas pessoas adeptas das tradições indígenas, o percentual foi de 0,32% com domicílio próprio. No grupo das pessoas de outras religiosidades 3,31% tinha casa própria. Entre aquelas pessoas sem religião apenas 5,13% tinha domicílio próprio. No grupo dos que não souberam dizer sua religiosidade, o percentual de pessoas com domicílio próprio foi de 0,05% e entre aqueles que não declararam religião o percentual com domicílio próprio foi de 0,14%.

Católicos e evangélicos foram os maiores grupos de pessoas em domicílios com conexão à internet

No Amazonas, de acordo com o Censo 2022, entre a população com conexão domiciliar à internet, observou-se que do total de 2.527.623 moradores ,com 10 anos ou mais, no Amazonas, 78,73% possuíam acesso à internet em seus domicílios. A religião Católica Apostólica Romana detinha, no último Censo, a maior parcela entre os religiosos com conexão, somando 1.182.333 pessoas (36,83% do total de religiosos conectados), seguida de perto pelos evangélicos, com 1.003.775 pessoas (31,27%). “Outras religiosidades” representaram 121.391 pessoas (3,78%), enquanto aqueles “sem religião” corresponderam a 193.117 pessoas (6,02%). No Espiritismo, 11.717 pessoas (0,36%) possuíam conexão à internet; na Umbanda e Candomblé 9.671 pessoas (0,30%) estavam conectadas; e nas tradições indígenas o número de conectados era de 1.494 pessoas (0,05%), ficando assim com a menor representatividade.

Religião por frequência à escola

No Amazonas, 365.380 estudantes , de 13 a 17 anos, tinham frequência escolar, em 2022. A maioria desses jovens se declarava católico e somava 157.999 pessoas (43,24% do total), seguida pelos evangélicos, com 157.781 pessoas (43,18%). Os jovens que se declararam sem religião representaram uma parcela de 28.700 indivíduos (7,85%). “Outras religiosidades” somaram, no mesmo período, 16.205 pessoas (4,44%), enquanto as “tradições indígenas” contavam com 2.024 pessoas (0,55%). Já o Espiritismo, a Umbanda e Candomblé apresentam menor representatividade, com 757 pessoas (0,21%) e 829 pessoas (0,23%), respectivamente.

Religião por alfabetização

No Amazonas, a taxa de analfabetismo entre os adeptos de tradições indígenas foi a segunda maior do país. Das pessoas com mais de 15 anos, que professavam alguma religião de tradição indígena no estado, 47,7% eram analfabetas. O número, que ficou bem acima da média nacional (24,6%), só foi menor que o registrado em Roraima, onde 80,8% das pessoas adeptas de religiões de tradição indígena eram analfabetas.

A taxa de analfabetismo ,entre os praticantes do Espiritismo, foi a menor dentre todos os grupos de religião ,no Amazonas, com apenas 0,60% dos praticantes sendo analfabetos. Em seguida, os adeptos de Umbanda e Candomblé tiveram a segunda menor taxa de analfabetismo, do estado, com 1,86% dos analfabetos. As taxas de analfabetismo com o maior quantitativo de pessoas, foram da religião Católica Apostólica Romana e Evangélicas, que ficaram com 7,29% e 6,44%, respectivamente.

Entre os municípios do Amazonas, Barcelos teve o maior número absoluto de analfabetos ,seguidores de religiões de tradição indígena, com 1.411 pessoas, o que equivale a 60,2% dos adeptos no município. Já em números relativos, Maraã e Ipixuna apresentaram a maior taxa de analfabetismo, com 100% e 85,4%, respectivamente. Mas há que se considerar que nestes municípios o número absoluto de pessoas adeptas das tradições indígenas era menor que 70. Em seguida, Humaitá se destaca com a maior percentual de pessoas analfabetas (71%),praticantes das tradições indígenas, o que resultou em um total de 579 adeptos.

Entre os dois maiores grupos de religiões, Católica Apostólica Romana e Evangélica, as taxas de analfabetismo nos municípios do estado variaram em mais de 20 pontos percentuais. Os católicos de Pauini (30,1%) e Itamarati (28,4%) tiveram as maiores taxas de analfabetismo. Porém, em Manaus (2,95%) e Boa Vista do Ramos (4%) foram encontradas as menores taxas de analfabetismo. Já entre os evangélicos, Pauini (27,6%) e Envira (23,9%) apresentaram as maiores taxas de analfabetismo, enquanto Boa Vista do Ramos (2,1%) e Silves (2,8%) tiveram as menores proporções de analfabetos.

Religião por nível de instrução

No Amazonas, o Censo Demográfico 2022 mostrou que, entre as pessoas com mais de 25 anos, o Espiritismo tinha a maior proporção de adeptos com nível superior completo. Entre os praticantes do Espiritismo, 53,5% tinha ensino superior completo, 33% tinha ensino médio completo ou superior incompleto, apenas 5,33% tinha fundamental completo ou médio incompleto e 8,1% não tinha instrução ou fundamental incompleto.

A religião Católica Apostólica Romana tinha, no mesmo ano, a segunda maior proporção de pessoas com ensino superior completo (16,3%), enquanto 34% não tinha qualquer instrução ou ensino fundamental incompleto. Dentre os adeptos das religiões Evangélicas, 12,7% tinha ensino superior completo e 33,6% não possuía instrução ou fundamental incompleto.

As religiões Umbanda e Candomblé tiveram a maior proporção ,do estado, de pessoas com ensino médio completo ou superior incompleto, com 41% dos praticantes com este nível de escolaridade. Já as religiões de tradição indígena ,no Amazonas, tiveram o maior número de pessoas sem qualquer instrução ou ensino fundamental incompleto, com 81,6% dos praticantes sem qualquer instrução ou com ensino fundamental incompleto. Apenas 2,7% dos praticantes das religiões de tradição indígena ,do estado, tinha ensino superior completo.

Religião indígena

No Amazonas, a população indígena ,de 10 anos ou mais, é de 379.008 pessoas. As religiões predominantes entre os indígenas são a Católica Apostólica Romana, com 163.765 pessoas (43,2% do total), seguida pelas Evangélicas, com 157.776 pessoas (41,6%). As tradições indígenas representam 10.670 pessoas (2,8%), e outras religiosidades somam 19.583 pessoas (5,2%). Um percentual significativo de 5,9% (22.466 pessoas) declarou não ter religião. Espiritismo e a Umbanda e Candomblé têm participações mínimas, com 430 (0,1%) e 724 (0,2%) pessoas, respectivamente.

Em Manaus, a população indígena de 10 anos ou mais era de 61.015 pessoas, em 2022. Diferente do cenário geral do Amazonas, a religião Evangélica era a mais representativa, com 26.918 pessoas (44,1% do total), superando a Católica Apostólica Romana, que contava com 24.949 pessoas (40,9%). As “outras religiosidades” englobaram 2.982 pessoas (4,9%), e um número considerável de 5.295 pessoas (8,7%) declarou não ter religião. O Espiritismo e a Umbanda e Candomblé possuíam 303 (0,5%) e 505 (0,8%) de adeptos, respectivamente. Com relação a seguidores de “tradições indígenas”, não foram encontrados dados para Manaus.

Religião indígena por gênero

No Amazonas, a distribuição por sexo da população indígena ,de 10 anos ou mais, mostrou que os homens representavam 49,87% do total, enquanto o percentual de mulheres era de 50,13%, indicando uma leve predominância feminina. Entre os homens, a maioria era católica (22,07%) ou evangélica (19,81%). Uma parcela menor aderiu às tradições indígenas (1,46%) e a outras religiosidades (2,61%). Já 3,29% não possuíam religião. Para as mulheres, a distribuição foi similar, com 21,13% no catolicismo e 21,81% na religião Evangélica. As tradições indígenas representaram 1,36% e outras religiosidades 2,56%, enquanto 2,64% não tinham religião. Ambos os sexos apresentaram percentuais muito baixos para Espiritismo e Umbanda e Candomblé.

Em Manaus, a população indígena ,de 10 anos ou mais, era formada por 45,68% de homens e 54,32% de mulheres, com uma forte prevalência feminina. A religião Evangélica foi a mais proeminente entre as mulheres (25,19%). Na religião Católica Apostólica Romana havia 19,34% dos homens. Outras religiosidades foram opções de 2,19% dos homens e 2,7% das mulheres. Um percentual considerável dos homens ( 4,65%) e das mulheres (4,03%), declarou não ter religião. Espiritismo e Umbanda e Candomblé também apresentam percentuais marginais em Manaus.

Ao comparar os dados do Amazonas e de Manaus, observou-se que, no geral, as mulheres representaram uma proporção maior da população indígena ,de 10 anos ou mais, em Manaus (54,32%) do que no Amazonas (50,13%). Em relação às religiões, o catolicismo e o evangelismo foram as duas maiores frentes , na capital e estado, para ambos os sexos. No entanto, no Amazonas, o catolicismo foi mais dominante entre os homens do que a religião Evangélica. Em Manaus, o evangelismo foi mais forte para as mulheres. Outro ponto interessante identificado pela pesquisa foi a percentagem de pessoas sem religião, que apareceu mais alta em Manaus (4,65% para homens e 4,03% para mulheres) em comparação com o resultado do estado (3,29% para homens e 2,64% para mulheres). As tradições indígenas, embora presentes no Amazonas, não tiveram representatividade nos dados de Manaus.

Religião indígena por condição de ocupação do domicílio

A população total de indígenas ,com 10 anos ou mais, em domicílios particulares permanentes ocupados no Amazonas era de 377.696 pessoas, em 2022. Entre estas, a maioria residia em domicílios próprios (330.643 pessoas ou ainda 87,55%), enquanto 27.139 pessoas (7,19%) viviam em domicílios alugados e 16.635 pessoas (4,40%) estavam em domicílios cedidos ou emprestados.

Entre os católicos (163.191 pessoas), a grande maioria residia em domicílio próprio (142.664 pessoas ou ainda 87,42%). Em menor proporção, 12.373 pessoas (7,58%) alugavam seus imóveis e 6.995 pessoas (4,29%) ocupavam domicílios cedidos ou emprestados.

Para os evangélicos (157.163 pessoas), a tendência foi similar, com a maior parte morando em domicílios próprios (137.167 pessoas ou 87,28%). Os que moravam de aluguel somavam 11.446 pessoas (7,28%) e os domicílios cedidos ou emprestados abrigavam 7.491 pessoas (4,77%).

As tradições indígenas (10.669 pessoas) apresentaram uma importante proporção de moradores em domicílios próprios (10.012 pessoas ou 93,84%). Não foram registrados indígenas, seguidores de tradições indígenas, em domicílios alugados. Outras 90 pessoas indígenas (0,84%) ocupavam domicílios cedidos ou emprestados.

No grupo “sem religião” (22.407 pessoas), a maioria vivia em domicílio próprio (18.648 pessoas ou 83,22%). Entre os que pagavam aluguéis estavam 2.164 pessoas (9,66%). Os que viviam em domicílios cedidos ou emprestados somavam 1.323 pessoas (5,90%).

Entre os adeptos de “outras religiosidades” (19.548 pessoas) possuíam domicílios próprios (17.920 pessoas ou 91,67%). Porém, 888 pessoas (4,54%) viviam em domicílios alugados e 563 pessoas (2,88%) em domicílios cedidos ou emprestados.

No grupo de pessoas seguidoras do Espiritismo (416 pessoas), a maioria possuía domicílio próprio (367 pessoas ou 88,22%). Poucas pessoas viviam em domicílios alugados (10 pessoas ou 2,40%) ou cedidos/emprestados (19 pessoas ou 4,57%).

Por fim, entre 719 pessoas da Umbanda e Candomblé, 472 pessoas (65,65%) viviam em domicílios próprios, 145 pessoas (20,17%) em alugados e 103 pessoas (14,33%) em cedidos ou emprestados. Os números revelam, entre este grupo, a maior proporção de domicílios alugados e cedidos/emprestados, entre total dos grupos religiosos analisados.

Mais sobre a pesquisa

A divulgação Censo Demográfico 2022: Religiões: Resultados preliminares da amostra traz o perfil religioso da população residente no país, com base nas informações provenientes do Questionário da Amostra do Censo Demográfico 2022. Os resultados estão disponíveis para Brasil, Grandes Regiões, unidades da federação e municípios, desagregados, também, segundo a cor ou raça, o sexo e os grupos de idade dos moradores, alfabetização, nível de instrução e características dos moradores.

Os dados também podem ser visualizados no Panorama do Censo 2022 e no Sidra.

Tags: AmazonasCatólicosEvangélicosigrejaManausprotestantes

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