O avanço das queimadas e o aumento da concentração de fumaça colocaram o Amazonas em estado de atenção. Diante do cenário de estiagem, altas temperaturas e baixa ocorrência de chuvas, órgãos estaduais intensificaram as ações de combate aos incêndios, fiscalização ambiental e monitoramento da qualidade do ar.
Entre os dias 1º de julho e 22 de setembro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atuou no combate a 14.899 focos de incêndios urbanos e florestais em diferentes regiões do estado. Cerca de mil servidores, entre militares e brigadistas, participam das operações. Atualmente, 65 viaturas estão empregadas nas ações, e outros cinco veículos devem reforçar a estrutura até o final de outubro.
Segundo os órgãos estaduais, as condições climáticas registradas em 2026 têm contribuído para o aumento do risco de incêndios. A combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas deixa a vegetação mais seca e facilita a propagação das chamas.
Além dos fatores climáticos, as autoridades apontam o uso irregular do fogo como um dos principais responsáveis pelos incêndios registrados nas últimas semanas. O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz, fez um alerta para os riscos de queimadas durante o período de estiagem e recomendou que a população não utilize fogo para limpar terrenos ou quintais.
Fiscalização é reforçada
Diante do aumento dos focos de calor, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) reforçou a fiscalização contra infrações ambientais relacionadas ao uso irregular do fogo na Região Metropolitana de Manaus.
A operação envolve equipes do Ipaam e da Polícia Militar, por meio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb), que atuam simultaneamente em diferentes áreas dos 13 municípios da região. As ações também estão integradas à Operação Tamoiotatá, realizada no sul do Amazonas.
Os locais fiscalizados são definidos a partir de dados de focos de calor, imagens de satélite e outras informações ambientais. O instituto também utiliza drones para auxiliar na identificação das áreas atingidas e tornar o deslocamento das equipes mais preciso.
O Amazonas ainda mantém vigente o decreto estadual que proíbe o uso do fogo em todo o território por 120 dias. A medida impede a utilização de queimadas para limpeza, manejo agrossilvipastoril, renovação de áreas e eliminação de resíduos vegetais, inclusive por meio de técnicas de queima controlada.
Fumaça afeta qualidade do ar
O aumento das queimadas também tem provocado impactos na qualidade do ar. O Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil do Amazonas (Cemoa) registrou concentrações elevadas de material particulado fino, conhecido como MP2,5.
Foram emitidos alertas para municípios como Manaus, Rio Preto da Eva e São Sebastião do Uatumã, onde a qualidade do ar foi classificada como ruim. Em Manacapuru, a situação chegou ao nível severo, com concentrações superiores a 125 µg/m³.
A fumaça representa um risco maior para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardíacas e respiratórias.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) apontam que, entre 1º de julho e 22 de setembro, foram registrados 132 atendimentos relacionados a sintomas associados à exposição à fumaça. Desse total, 23 ocorreram somente em setembro.
Entre os sintomas relatados estão tosse, falta de ar, dor de cabeça, dor no peito, irritação na garganta, tontura, náuseas, vômitos e cansaço.
Orientação à população
Durante os períodos de maior concentração de fumaça, as autoridades recomendam evitar atividades físicas e trabalhos pesados ao ar livre. Também é indicado manter portas e janelas fechadas nos horários de maior densidade de fumaça, umidificar os ambientes e aumentar a ingestão de líquidos.
Pessoas que precisarem sair de casa devem utilizar máscara de proteção respiratória adequada.
Em casos de sintomas leves, a orientação é buscar atendimento inicial pelo aplicativo Saúde AM Digital. Já diante de sinais graves, como falta de ar intensa, dor no peito, lábios arroxeados ou confusão mental, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de urgência e emergência.
O Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo telefone 193 para situações de incêndio e emergência. Denúncias de queimadas ilegais e outras infrações ambientais podem ser encaminhadas ao Ipaam pelo WhatsApp (92) 98557-9454.
Com o período de estiagem ainda exigindo atenção, os órgãos estaduais mantêm as operações de monitoramento, fiscalização e combate às queimadas, enquanto reforçam o alerta para que a população não faça uso irregular do fogo.







