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Violência coloca mais de 450 mil crianças em risco de desnutrição no Sudão do Sul

Unicef alerta para deslocações em massa e interrupção de serviços essenciais de saúde e nutrição; agência apelou a todas as partes envolvidas para cessarem as hostilidades e garantirem acesso humanitário às populações deslocadas e vulneráveis.

Redação por Redação
4 de fevereiro de 2026
em Mundo
Guatemala tem uma das taxas mais altas de desnutrição infantil do mundo - Foto: Unicef/Daniele Volpe

Guatemala tem uma das taxas mais altas de desnutrição infantil do mundo - Foto: Unicef/Daniele Volpe

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Mais de 450 mil crianças correm risco de desnutrição aguda no estado de Jonglei, no Sudão do Sul, devido à piora da violência que tem provocado deslocações em massa e a interrupção de serviços críticos de saúde e nutrição.

O alerta foi feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, esta terça-feira, em Juba e Nova Iorque.

Escalada da violência e deslocações em massa

Segundo o Unicef, desde o início de 2026, confrontos violentos em Jonglei terão provocado o deslocamento de pelo menos 250 mil pessoas, sobretudo nas regiões norte e central do estado. As áreas afetadas registam alguns dos níveis mais elevados de desnutrição infantil no país.

A representante do Unicef no Sudão do Sul, Noala Skinner, manifestou profunda preocupação com o impacto da violência sobre mulheres e crianças. Ela  sublinhou que uma criança desnutrida sem tratamento tem uma probabilidade 12 vezes maior de morrer.

A agência apelou a todas as partes envolvidas para cessarem as hostilidades e garantirem acesso humanitário rápido, seguro e sem impedimentos às populações deslocadas e vulneráveis.

Acesso humanitário limitado e escassez de alimentos terapêuticos

A entrega de ajuda de emergência tem sido severamente dificultada por restrições ao transporte fluvial, aéreo e rodoviário, limitando a capacidade das agências humanitárias de alcançar as populações necessitadas.

Seis condados do estado de Jonglei já enfrentam ou estão próximos de esgotar os seus stocks de alimentos terapêuticos, essenciais para o tratamento de crianças com desnutrição severa.

Em todo o país, o Unicef registou o encerramento de 17 unidades de saúde devido ao conflito, com a suspensão dos serviços de nutrição associados. Foram também reportados dez incidentes de roubo de suprimentos de saúde e nutrição, cinco dos quais em Jonglei.

Resposta do Unicef e riscos adicionais de saúde

Apesar das limitações de acesso, a Unicef continua a responder à crise. Foram enviados equipamentos de purificação de água, baldes e sabão para o condado de Duk, onde existem preocupações com um possível surto de cólera.

No condado de Akobo, a agência distribuiu medicamentos contra a malária, alimentos terapêuticos para crianças desnutridas e kits de saúde de emergência destinados a apoiar mais de 10 mil pessoas.

Situação humanitária no Sudão

Num contexto regional mais amplo, representantes da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho alertaram para a grave situação humanitária no Sudão.

Segundo Pierre Kremer, diretor regional Adjunto para África, assinalam-se 100 dias desde a escalada do conflito em El Fasher, após 500 dias de cerco à cidade.

O responsável afirmou que civis continuam a pagar o preço mais alto com relatos de mortes, destruição de casas, separação de famílias, violência sexual contra mulheres e meninas e deslocações forçadas em larga escala.

O acesso humanitário permanece extremamente limitado, com milhares de pessoas fora do alcance da assistência, incluindo na região de Cordofão.

Desde o início do conflito no Sudão, 21 voluntários foram mortos. A Cruz Vermelha reiterou a necessidade de proteger civis e trabalhadores humanitários e de garantir acesso seguro para que as organizações humanitárias possam prestar assistência e salvar vidas.

Tags: CriançaDesnutriçãoViolência

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