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55,8% da população de Manaus vive em favelas e estudo defende novo modelo de crescimento urbano

“Manaus não pode continuar crescendo para longe de tudo”, alerta especialista em urbanização

Redação por Redação
19 de setembro de 2026
em Amazônia
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

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Passar horas no trânsito para trabalhar, estudar, fazer compras ou buscar atendimento de saúde é uma realidade para milhares de moradores de Manaus. Para o especialista em urbanização José Henrique Lanna, o problema está relacionado à forma como a cidade cresceu ao longo das últimas décadas. Um estudo elaborado por ele, revela que concentrar novos moradores em áreas que já possuem infraestrutura pode ser uma alternativa para aproximar a população dos serviços e reduzir a expansão desordenada.

A capital amazonense cresceu de forma espalhada e levou moradias para regiões cada vez mais distantes dos principais serviços. Esse modelo aumenta a necessidade de deslocamentos e exige a ampliação constante de redes de transporte, saneamento, energia, drenagem e outros serviços públicos.

Dados
O estudo aponta ainda que cerca de 55,8% da população de Manaus vivia em favelas e comunidades urbanas em 2022, o que representa aproximadamente 1,15 milhão de pessoas.

Para Lanna, o desafio não é simplesmente construir mais, mas definir onde e como a cidade deve crescer. A proposta de requalificação da Ponta Negra parte do aproveitamento de uma região que já conta com infraestrutura e pode receber novos moradores e atividades. O planejamento prevê a integração entre moradia, comércio, escolas, hospitais, escritórios, cultura e lazer, criando uma região com serviços mais próximos da população.

“Manaus tem um problema que precisa ser discutido para além do mercado imobiliário. A cidade está colocando muita gente onde faltam infraestrutura e serviços, enquanto mantém áreas bem estruturadas com baixa ocupação. Precisamos inverter essa lógica e fazer a cidade crescer onde já existe cidade”, afirma José Henrique Lanna, especialista em urbanização e autor do estudo.

Menores distâncias
Aproximar as pessoas dos serviços pode ter impacto direto na rotina da população. Menores distâncias entre casa, trabalho, escola e comércio significam menos tempo perdido no trânsito e menor dependência do automóvel. Uma cidade não precisa obrigar o cidadão a atravessá-la todos os dias para resolver a vida. Quando moradia, trabalho e serviços estão próximos, todos ganham tempo e a infraestrutura existente passa a ser melhor aproveitada.

Impacto ambiental
O estudo também chama atenção para o impacto ambiental desse modelo de crescimento. Em Manaus, a expansão urbana pressiona áreas de floresta, igarapés e territórios ainda sem infraestrutura completa. Na Amazônia, discutir como a cidade cresce também é discutir como protegemos a floresta. Adensar áreas consolidadas, com planejamento e qualidade, pode ser mais sustentável do que continuar levando a cidade para áreas cada vez mais distantes.

Região da Ponta Negra
A discussão sobre a Ponta Negra também envolve mobilidade urbana. O estudo aponta que o trânsito na região não pode ser atribuído exclusivamente ao crescimento residencial, já que o eixo viário recebe fluxos de passagem entre diferentes áreas de Manaus. Para o especialista, a solução passa por combinar planejamento urbano, transporte e distribuição de serviços, em vez de simplesmente impedir o crescimento de regiões estruturadas.

“Não existe cidade sem pessoas, e não existe cidade completa sem densidade adequada. O que precisamos evitar é o crescimento desordenado, não o crescimento planejado. A questão é colocar mais cidade no lugar certo, com infraestrutura, transporte, serviços, espaços públicos e diversidade de moradores”, ressalta Lanna.

Tags: AmazonasManauspopulação

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