Ao observar que a mãe pouco sabia sobre a história do povo indígena do qual pertence, o cientista Acauã Tunari, de 17 anos, deu início a uma pesquisa a respeito da identidade cultural da etnia Galibi Kali’na, concentrada no município de Oiapoque, no Norte do Amapá.
Em meio às dificuldades no mundo científico e financeiro, como não ter um notebook para estudar, Acauã vem fazendo uma “vaquinha” para ajudar a pagar um curso de inglês, requisito fundamental para quem deseja potencializar a carreira acadêmica.
O estudante também é autodidata de ciência da computação e programação. Ele contou que a ideia da pesquisa nasceu do sentimento de obrigação em resgatar a cultura do povo do qual é descendente.
“Foi por meio de uma observação no meu ambiente familiar aonde eu percebi que a minha mãe da etnia Galibi do Oiapoque acabou perdendo sua identidade cultural, não só ela como também outros indígenas. Por conta disso eu me vi na obrigação, como pesquisador, estudar essa situação e, logicamente, promover uma maneira de fazer esse resgate”, relatou.
As raízes indígenas de Acauã vêm da mãe, na aldeia São José do Galibi. O pai não é indígena e o menino nasceu em Macapá. Em função dos antepassados, ele se reconhece como indígena também.
Atualmente, a pesquisa do adolescente se encontra na fase documental. Após isso, iniciará a etapa de coleta de dados junto aos indígenas da etnia na própria aldeia, que ele nunca visitou.
Acauã tem consciência dos desafios em produzir material científico sendo tão jovem, sem tantos recursos e pertencendo a um grupo minoritário na sociedade.
“Encontrar um jovem que faz ciência, independentemente da sua etnia, não é algo comum no Brasil, porque infelizmente não é um país que promove e fomenta a pesquisa. E quando nós temos um indígena, um negro ou qualquer outro indivíduo que faz parte de uma minoria já é muito mais difícil porque essa realidade da pesquisa científica não faz parte da vida dele”, avaliou.
No entanto, o jovem pesquisador não está sozinho. Ele conta com a orientação do Instituto Nacional Leva Ciência, por meio da professora Danielle Brito, que sabe do potencial da pesquisa do Acauã e vê um futuro promissor para o adolescente.
“O Acauã é um jovem cientista querendo uma oportunidade no mundo da pesquisa e nós como instituição estamos fazendo isso mesmo diante das nossas dificuldades. Nós olhamos as dificuldades como degraus, temos que passar por elas para alcançar nossos objetivos. E logo logo vocês vão ver esse jovem em toda mídia do Brasil porque ele vai muito longe, isso eu garanto”, afirmou Danielle.
Dificuldades na pesquisa
O adolescente ganhou um notebook para ajudá-lo na produção da pesquisa científica. No início, Acauã digitava todo o conteúdo pelo celular e enviava à professora para fazer a formatação.
Se preparando para a Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia, onde pretende apresentar uma revista digital com características do povo Galibi de Oiapoque, o pesquisador busca agora o domínio sobre a língua inglesa.
“Um dos elementos principais para um bom pesquisador é o domínio sobre o idioma inglês. Então para o desenvolvimento coeso da minha pesquisa é de mister importância que eu domine o idioma, e um curso para desenvolver essa habilidade requer custos”, contou.
Por isso, uma campanha de arrecadação de doações em dinheiro foi aberta a fim de pagar um curso de inglês ao adolescente. As doações podem ser feitas pelo número pelo número (96) 98134-6533 ou pelas redes sociais do Instituto Leva Ciência.
Para o futuro, Acauã, que também tem estudos no ramo da astronomia, projeta seguir na carreira acadêmica e continuar realizando pesquisas no exterior, na área de segurança cibernética.
“A minha meta é seguir carreira acadêmica na área de segurança cibernética e fazer uma graduação fora do país por intermédio de uma bolsa integral e seguir essa carreira acadêmica: graduação, mestrado, PhD”, finalizou.
Fonte: G1 Amapá








