O alto comissário de Direitos Humanos da ONU alertou que os direitos dos iranianos estão sendo corroídos de “maneiras duras e brutais”.
Volker Turk citou um aumento nas execuções da pena de morte, prisões em massa e supostos abusos em meio a uma repressão crescente da dissidência durante o conflito no Oriente Médio.
Acusações sobre segurança nacional
Em nota, ele disse estar “consternado com o fato de que, além dos impactos já severos do conflito, os direitos do povo iraniano continuam sendo violados”.
Pelo menos 21 pessoas foram executadas e mais de 4 mil foram presas sob acusações relacionadas à segurança nacional desde o final de fevereiro, de acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Entre os executados estão indivíduos ligados a protestos, supostos membros de grupos de oposição e pessoas acusadas de espionagem.
Turk enfatizou que, mesmo em tempos de guerra, as proteções fundamentais devem ser mantidas, pois é justamente nestes momentos em que “as ameaças aos direitos humanos aumentam exponencialmente”.
O alto comissário apelou às autoridades para que “suspendam todas as execuções, estabeleçam uma moratória sobre o uso da pena capital, garantam plenamente o devido processo legal e um julgamento justo, e libertem aqueles que foram detidos arbitrariamente”.
Torturas e confissões forçadas
Ele alertou que o uso generalizado de acusações de segurança nacional pelo Irã colocou muitas pessoas, incluindo crianças, em risco.
Relatos de tortura, confissões forçadas e negação de representação legal suscitaram sérias preocupações quanto ao devido processo jurídico.
Os detidos também enfrentam condições severas, com superlotação, escassez de suprimentos básicos e acesso limitado a cuidados médicos.
Existem relatos de que a ganhadora do Prêmio Nobel, Narges Mohammadi, que está presa, está em uma situação precária e que outros detidos morreram sob custódia em circunstâncias que sugerem possível tortura.
Fome se aprofunda no Líbano
O custo humano do conflito também é evidente em outras partes da região. No Líbano, uma nova análise do IPC revela que a escalada do conflito está empurrando quase um quarto da população para a insegurança alimentar aguda.
A análise revela que 1,24 milhão de pessoas deverão enfrentar níveis de insegurança alimentar classificados como Crise (Fase 3 do IPC) ou piores, entre abril e agosto de 2026.
Isso representa uma deterioração significativa em relação ao período de novembro de 2025 a março de 2026, quando cerca de 874 mil pessoas, aproximadamente 17% da população, estavam vivenciando insegurança alimentar aguda.
Essa deterioração é resultado do conflito, dos deslocamentos e das pressões econômicas.








