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Boletim Macrofiscal de julho mantém a projeção de crescimento do PIB em 2,3%

Documento eleva estimativa para a inflação e analisa os efeitos das incertezas no cenário internacional

Agência Gov Brasil por Agência Gov Brasil
19 de julho de 2026
em Economia
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

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A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. Já a estimativa de inflação medida pelo IPCA passou de 4,5% para 5,1%. Os dados constam do Boletim Macrofiscal de julho, divulgado na quarta-feira (15/7).

O documento também apresenta projeções para os setores da economia, o resultado fiscal e dívida pública, além de analisar os riscos relacionados ao cenário internacional, ao preço da energia e à possibilidade de um El Niño mais intenso.

Confira a edição de julho de 2026 do Boletim Macrofiscal

Confira a Apresentação do Boletim MacroFiscal de Julho de 2026

No cenário internacional, a análise aponta incerteza elevada, apesar da redução temporária dos riscos mais graves associados ao conflito entre Estados Unidos e Irã. A trégua entre os países reduziu o prêmio de risco sobre a oferta de petróleo e permitiu que a cotação do petróleo Brent recuasse momentaneamente. No entanto, com a interrupção do cessar-fogo em 8 de julho, o prêmio de risco e os preços do petróleo voltaram a subir. A retomada do conflito ocorreu após a data de corte do Boletim Macrofiscal e representa risco de alta para os preços de energia e de desaceleração do crescimento da economia mundial.

Nos Estados Unidos, a atividade mantém sinais de resiliência, enquanto a inflação permanece acima da meta. Esse cenário elevou as expectativas para a trajetória dos juros e levou o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, a manter uma postura cautelosa.

Na Zona do Euro, foi observada uma estabilização gradual em meio à inflação persistente. Na China, a melhora da indústria e das exportações contrasta com a fragilidade da demanda interna e do setor imobiliário. Já na América Latina, as pressões inflacionárias e cambiais levam os bancos centrais a manter cautela. O cenário também inclui os efeitos das novas tarifas dos Estados Unidos e a possibilidade de um El Niño mais intenso.

Atividade econômica

No Brasil, ainda conforme o Boletim Macrofiscal, a projeção de crescimento da economia em 2026 foi mantida em 2,3%. A estimativa para a agropecuária passou de 1,2% para 1,8%, enquanto a previsão para a indústria caiu de 2,2% para 2,1%. Para os serviços, a projeção permaneceu em 2,4%.

No segundo trimestre, a estimativa é de crescimento de 0,8% em relação aos três meses anteriores, após alta de 1,1% no primeiro trimestre. A projeção para a indústria passou de 1,2% para 0,8%, enquanto a da agropecuária caiu de 2% para 0,6%. Para os serviços, a estimativa subiu de 0,5% para 0,7%.

A redução do ritmo de crescimento repercute os efeitos defasados da política monetária restritiva, com recuperação prevista para o quarto trimestre, com maior contribuição da indústria de transformação e da construção. A intensidade prevista, no entanto, é menor do que a estimada anteriormente, diante da expectativa de um ciclo mais curto de redução dos juros.

Inflação

As pressões sobre a inflação ao consumidor permanecem, principalmente em razão dos preços dos alimentos e dos efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 passou de 4,5% para 5,1%, refletindo choques de oferta, repasses de preços do atacado ao consumidor e a possibilidade de um El Niño mais intenso, que pode afetar a produção agrícola.

A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) passou de 4,6% para 5,3%. Para 2027, a projeção do IPCA subiu de 3,5% para 3,6%.

Projeções fiscais

As projeções do mercado para o resultado primário de 2026, reunidas pelo Prisma Fiscal, apresentaram redução do déficit estimado em julho, após aumento registrado em junho.

A mediana projetada para o déficit primário caiu R$ 0,9 bilhão e chegou a R$ 58,1 bilhões, equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Em junho, a estimativa correspondia a 0,44% do PIB. A revisão considera a expectativa de crescimento da receita líquida em ritmo superior ao das despesas primárias.

Caso as estimativas do mercado se confirmem, o resultado considerado para o cumprimento da meta fiscal seria positivo em R$ 6,3 bilhões, acima do limite inferior do intervalo de tolerância. O cálculo considera as deduções de R$ 64,4 bilhões previstas no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) do segundo bimestre.

Para o médio prazo, o mercado projeta redução gradual do déficit e uma convergência nas projeções da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG).

Gastos tributários

A edição de julho também apresenta informações sobre a revisão dos gastos tributários. Entre as medidas citadas estão a criação da Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi) e a regulamentação da Lei Complementar nº 224/2025.

A legislação estabelece novos critérios para a concessão de benefícios fiscais e fixa um limite de 2% do PIB para esses gastos.

Perspectivas

O Boletim Macrofiscal mantém a projeção de crescimento de 2,3% para a economia brasileira em 2026 e aponta riscos relacionados ao cenário externo, à inflação e aos efeitos da política monetária sobre a atividade.

A evolução do mercado de trabalho, as projeções para as contas públicas e as medidas estruturais também aparecem entre os fatores relevantes para o desempenho da economia nos próximos anos.

Tags: BrasileconomiaPIB

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