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Cortes de financiamento já afetam direitos das mulheres em 52 países

Estudo da ONU Mulheres mostra que ONGs registram aumento na demanda por apoio, mas operam com orçamento insuficiente

Redação por Redação
16 de julho de 2026
em Mundo
Foto: Ocha/ Alioune Ndiaye

Foto: Ocha/ Alioune Ndiaye

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Os sucessivos cortes no financiamento humanitário internacional estão fazendo com que organizações de direitos das mulheres não consigam responder ao aumento das demandas locais.

Esse cenário já é observado em 52 países, incluindo Brasil, Moçambique e Timor-Leste, de acordo com um novo relatório da ONU Mulheres.

Impactos no Brasil

No levantamento, 84% das organizações relatam que a quantidade de mulheres que necessitam de apoio cresceu, mas 88% estão funcionando com orçamento abaixo do esperado.

No Brasil, o descompasso entre o aumento da violência de gênero e a redução dos recursos atinge diretamente o trabalho de organizações que atuam em periferias urbanas, comunidades quilombolas e na Amazônia.

Sem verbas, 65% das organizações brasileiras dependem de profissionais trabalhando sem remuneração ou estendendo jornadas voluntárias para evitar o fechamento de casas de acolhimento e projetos de subsistência.

Desafios em Moçambique e Timor-Leste

No contexto moçambicano, organizações enfrentam o duplo desafio da insurgência em Cabo Delgado e de desastres climáticos cíclicos.

O corte de na gestão de casos de violência de gênero deixa mulheres deslocadas em extrema vulnerabilidade e casamentos infantis são realizados como mecanismo de sobrevivência familiar.

Em Timor-Leste, a redução orçamentária ameaça a existência de um ecossistema de ONGs jovens dependentes de fundos externos.

Cortes em serviços

Analisando o contexto de organizações de direitos e lideradas por mulheres em 52 países, o relatório revela correlações entre o aumento de crises humanitárias, climáticas e de segurança e a capacidade de sobrevivência dessas instituições na linha de frente.

A manutenção de centros e espaços seguros para mulheres sofreu uma redução de 62%, e a gestão de casos de violência de gênero encolheu em 61%.

Com a redução orçamentária, 72% dos programas de empoderamento econômico e subsistência feminina foram afetados.

Aumento da pobreza extrema

O enfraquecimento da rede de apoio também impactou a vida das mulheres nesses países.

Entre elas, a vulnerabilidade econômica e pobreza extrema aumentou 92%, enquanto houve um salto de 86% nos casos de violência física, sexual e emocional no mesmo período.

O relatório também mapeou retrocessos sociais, como o avanço de 72% nos casamentos infantis ou forçados, e um aumento de 61% na prática sexual de sobrevivência ou transacional.

Problemas financeiros e operacionais

Além do impacto comunitário, os problemas financeiros e operacionais ameaçam a existência de ONGs

Atualmente, 41% das instituições consultadas consideram provável a suspensão total de suas atividades dentro do prazo de um ano.

Para tentar o funcionamento, 77% das organizações relatam ter perdido funcionários especializados, enquanto 65% sobrevivem por conta do trabalho de voluntários.

O estudo com lideranças locais observou que 43% dos grandes doadores preferem repassar verbas para ONGs internacionais em vez de apoiar as locais.

Financiamentos flexíveis e desburocratizados

Os dados já refletem nos orçamentos anuais: no ano passado, 57% das organizações registraram queda no recebimento de financiamento direto e sem intermediários.

Para reverter esse cenário, a ONU Mulheres apela aos doadores financiamentos plurianuais e flexíveis, cobrindo os custos de funcionamento e não apenas projetos isolados.

A agência também recomenda a desburocratização do acesso direto aos recursos e o fortalecimento da agenda de gênero, para que a resposta humanitária esteja conectada ao desenvolvimento sustentável.

Tags: MulherMundoONU

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