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Maioria de mortes maternas ocorre em países com conflitos e fragilidades, diz OMS

Quase dois terços desses óbitos têm lugar em nações que atravessam confrontos e crises prologandas; nova análise da OMS mostra que sistemas de saúde frágeis tornam a gravidez significativamente mais arriscada nesses contextos.

Redação por Redação
20 de fevereiro de 2026
em Mundo
Foto: Rodrigo Santos | SES-AM

Foto: Rodrigo Santos | SES-AM

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Quase dois terços das mortes maternas em todo o mundo acontecem em países marcados por conflito, fragilidade institucional ou instabilidade social. O risco de uma mulher morrer por causas maternas é cerca de cinco vezes superior ao enfrentado por mulheres que vivem em países estáveis.

Os dados constam de uma nova publicação da Organização Mundial da Saúde, OMS, e do Programa Especial de Investigação, Desenvolvimento e Formação em Investigação em Reprodução Humana, HRP, que analisa por que razão a gravidez se torna particularmente perigosa em países afetados por crises prolongadas.

Sistemas de saúde sob pressão

Em 2023, estima-se que 160 mil mulheres tenham morrido por causas maternas evitáveis em países afetados por conflito ou fragilidades, cerca de seis em cada 10 mortes maternas globais, apesar dessas nações representarem apenas cerca de 10% dos nascimentos no mundo.

A análise mostra que países afetados por conflitos registram uma razão de mortalidade materna, MMR na sigla em inglês, de 504 mortes por 100 mil nascimentos. Em países considerados social e institucionalmente frágeis, o valor é de 368 e nos países fora dessas categorias, a razão cai para 99 mortes por 100 mil.

Segundo o relatório, crises prolongadas criam condições em que os sistemas de saúde deixam de conseguir prestar cuidados maternos essenciais de forma contínua.

A análise confirma também que fatores como gênero, etnia, idade e estatuto migratório agravam ainda mais os riscos enfrentados por grávidas.

Entre adolescentes, a desigualdade é particularmente evidente: em 2023, uma menina de 15 anos vivendo num país afetado por conflito tinha um risco ao longo da vida de morrer por causas maternas de uma em 51, comparado com uma em 79 em países frágeis e uma em 593 em países relativamente estáveis.

Experiências nacionais mostram o que funciona

O documento apresenta alguns estudos de caso que demonstram como é possível proteger a saúde materna em contextos de instabilidade. Na Etiópia, equipes móveis, reabilitação de unidades de saúde e o reforço do número de parteiras ajudaram a restabelecer a continuidade dos cuidados após interrupções causadas por conflitos.

No Haiti, a eliminação de custos e o acesso fiável à eletricidade permitiram manter cirurgias como cesarianas para mulheres deslocadas. Casos em Mianmar e na Papua Nova Guiné mostram que, mesmo em crises complexas, a reorganização dos serviços, o planejamento local e a proteção dos cuidados essenciais podem salvar vidas.

Dados para orientar a ação

Ao relacionar os dados mais recentes de mortalidade materna ao grau de fragilidade dos sistemas nacionais, a OMS e os seus parceiros passam a dispor de uma ferramenta mais precisa para identificar onde o reforço dos sistemas de saúde é mais urgente.

O relatório sublinha a importância de investir nos cuidados de saúde primários, melhorar a recolha de dados em contextos de difícil acesso e desenvolver sistemas de saúde resilientes, capazes de resistir e se adaptar a crises como conflitos e desastres.

Tags: maternidademortesMundoONU

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