O Amazonas registrou 66.882 nascimentos e ocupou a 13ª posição entre os estados brasileiros em número de nascidos vivos, em 2023. A maior parte dos partos ocorreu em hospitais (94,56%), mas ainda houve 2,43% de nascimentos em domicílio, percentual superior ao da capital. Em Manaus, foram registrados 32.527 nascimentos, com 0,36% ocorrendo em casa. Em ambos os casos, as mães mais estavam na faixa etária de 20 a 24 anos e de 25 a 29 anos. No entanto, um dado preocupante se refere aos sub-registros de nascimento já que o Amazonas apresentou taxa de 4,90%, acima da média da região Norte (3,73%) e muito acima da nacional (1,05%). Fato esse que compromete o acesso a direitos básicos e a eficácia de políticas públicas.
Quanto aos casamentos, o Amazonas contabilizou 14.564 uniões, sendo a maioria entre casais heterossexuais. Em Manaus, foram 9.781 casamentos, mantendo a mesma tendência. Observou-se um crescimento significativo nas uniões homoafetivas na última década, com os casamentos entre cônjuges masculinos passando de quatro para 40 e os entre cônjuges femininos, de três para 70, entre 2013 e 2023. No campo dos divórcios, o Amazonas registrou 4.571 dissoluções, entre as quais 3.620 ocorreram em Manaus, sendo que mais de 30% envolveram filhos menores de idade. Já em relação aos óbitos, foram registrados 18.632 no estado, com predominância entre pessoas idosas. Em Manaus, os óbitos ocorreram majoritariamente em hospitais (71,36%), reforçando a centralização dos serviços de saúde na capital e sua maior capacidade de registro, quando comparada ao restante do estado.
Os dados fazem parte da pesquisa “Estatística do Registro Civil e Estimativas de Sub-Registros de Nascimentos e Óbitos 2023”, divulgadas hoje, 16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nascimentos (nascidos vivos)
Nasceram vivas, em 2023, no Amazonas, 66.882 crianças. Entre os estados brasileiros, o Amazonas foi o décimo terceiro com maior número de crianças nascidas vivas. Os estados com maior quantidade de nascidos vivos, no mesmo ano, foram São Paulo (435.282), Minas Gerais (236.930) e Bahia (206.951). Já os que tiveram menor quantidade, foram Roraima (7.624), Amapá (10.897) e Acre (15.453).

Mês de nascimento dos nascidos vivos
A maioria das crianças vivas nasceu no mês de janeiro (6.155), seguido por março (5.834), setembro (5.782) e outubro (5.710).
Em Manaus, a maior quantidade das 32.527 crianças nascidas vivas, em 2023, foi registrada nos meses de janeiro (2.918), setembro (2.845) e março (2.813).

Nascidos vivos, por sexo
Entre as 66.882 das crianças nascidas vivas, no estado, 34.072 eram homens e 32.803 mulheres. Sete crianças não tiveram o sexo identificado. Já em Manaus, das 32.527 crianças nascidas vivas, 16.571 eram homens e 15.952 mulheres. Quatro não tiveram sexo identificado.

Mais de 2% das crianças do estado nasceram no domicílio. Em Manaus o percentual foi de 0,4%
Do total de 66.882 crianças nascidas vivas, no Amazonas, em 2023, 63.237 nasceram em hospital, 1.538 no domicílio (2,43%), 1.076 em outro local e 1.031 em local ignorado. Na capital amazonense, das 32.382 crianças nascidas vivas, 32.382 nasceram em hospital, 117 no domicílio (0,36%), 25 em outro local e três em local ignorado.

No estado, a maioria das mães de nascidos vivos, estava nas faixas etárias de 20 a 24 anos (18.488) e 25 a 29 anos (15.564), em 2023. A faixa etária com menor número de nascidos vivos foi a de 49 anos (5).
Em Manaus as mesmas faixas etárias predominaram sobre as demais, sendo que na faixa de 20 a 24 anos foram 8.553 nascidos vivos e na de 25 a 29 anos foram 8.232 crianças nascidas vivas. Na capital a faixa etária com menor quantidade de bebês nascidos vivos foi a de 48 anos (4).

Casamentos
Segundo a pesquisa das Estatísticas do Registro Civil, foram realizados 14.564 casamentos no Amazonas, em 2023, sendo 14.449 entre cônjuges masculino e feminino, 72 entre cônjuges femininos e 43 entre cônjuges masculinos. Em Manaus foram 9.781 casamentos, sendo 9.671 entre casais heterossexuais, 70 entre cônjuges femininos e 40 entre cônjuges masculinos.
Em Manaus, observou-se uma queda significativa no número total de casamentos entre 2013 e 2018, passando de 13.493 para 9.078. No entanto, entre 2018 e 2023, houve uma leve recuperação, com o total subindo para 9.781. Apesar disso, o número, do período, ainda foi consideravelmente menor do que o registrado em 2013. Os casamentos entre cônjuges masculino e feminino acompanharam essa mesma tendência. Já os casamentos homoafetivos apresentaram aumento expressivo já que os casamentos entre cônjuges masculinos passaram de quatro, em 2013, para 40 em 2023 e os entre cônjuges femininos subiram de três para 70, no mesmo período.
No Amazonas, o comportamento é semelhante ao de Manaus, com uma redução de casamentos entre 2013 (17.330 ) e 2018 (13.954), seguida por um leve aumento em 2023 (14.564). Ainda assim, o número permanece abaixo do nível de 2013. Os casamentos entre cônjuges masculino e feminino, na capital, apresentaram queda no intervalo analisado. Já os casamentos entre pessoas do mesmo sexo aumentaram significativamente. Os casamentos entre homens passaram de quatro para 43 e entre mulheres, de 3 para 72 entre 2013 e 2023. Esse crescimento reflete uma maior aceitação social e visibilidade dos casamentos homoafetivos, no estado.

A maioria dos casamentos, no estado, foi realizado no mês de dezembro (970), seguido pelos meses de novembro (840) e maio (836). O mês com menor quantidade de casamentos foi fevereiro (522).

Grupo de idades dos cônjuges
A pesquisa de Estatísticas do Registro Civil descobriu que, no Amazonas, a faixa etária entre 25 a 29 anos representou o maior quantitativo da idade do primeiro cônjuge (2.982 pessoas). O menor quantitativo apareceu na faixa etária de 16 anos (5 pessoas). Com relação ao segundo cônjuge, a pesquisa identificou com maior quantitativo a faixa etária de 25 a 29 anos (3.100 pessoas). O menor quantitativo ficou com pessoas de menos de 15 anos (apenas 5 pessoas).
Estado civil dos cônjuges
Do total e 14.449 casamentos realizados, em 2023, 11.818 dos homens eram solteiros ( 81,79%), 2.222 eram divorciados, 236 viúvos e 173 não declararam estado civil. Entre as mulheres,12.379 eram solteiras (85,67%), 1.737 divorciadas, 170 viúvas e 163 não declararam.
Observou-se, com a pesquisa, uma participação relevante de divorciados, especialmente entre os homens (15,38%) e, em menor grau, entre as mulheres (12,02%). A presença de viúvos e viúvas nos casamentos é bastante reduzida, com 1,63% e 1,18%, respectivamente. Há também uma pequena parcela sem declaração do estado civil, em torno de 1,2% para os homens e 1,13% para as mulheres, indicando eventuais lacunas no preenchimento dos dados.
Em Manaus, o padrão é semelhante ao do estado, com predominância dos solteiros nos casamentos: 79,54% entre os homens e 83,86% entre as mulheres. A proporção de divorciados que voltam a se casar é ligeiramente maior que no estado, atingindo 18,66% entre os homens e 14,8% entre as mulheres. Os percentuais de viúvos e viúvas são praticamente os mesmos do estado. Diferentemente do estado, não há registros de casos sem declaração de estado civil em Manaus, o que pode indicar maior precisão ou completude no preenchimento dos dados da capital.

Divórcios concedidos e número de filhos dos casais envolvidos
Foi identificado pela pesquisa, em 2023, que 4.571 casais se divorciaram no Amazonas. O número de filhos dos casais envolvidos nos divórcios concedidos em primeira instância somou 6.500 pessoas, sendo que 2.220 eram menores de idade. Em Manaus, no mesmo período, foram concedidos, em primeira instância, 3.620 divórcios e o número de filhos dos casais envolvidos totalizou 4.890 indivíduos e, dentre esses, 1.796 eram menores de idade.

Óbitos
Conforme a pesquisa sobre Estatísticas do Registro Civil, 18.632 pessoas foram a óbito em 2023. A maioria dos óbitos ocorreram nos meses de junho (1.661), julho (1.643) e maio (1.631), no estado. Entre total de óbitos do Amazonas, em 2023, 11.100 foram de homens, 7.527 de mulheres e 5 óbitos tiveram gênero ignorado.
Entre os 18.632 óbitos, 16.842 foram de causas naturais, 1.519 de causas não naturais e 271 de causas ignoradas.

Local de ocorrência do óbito
No Amazonas, a maioria dos óbitos, no ano da pesquisa, ocorreu em hospitais, representando 66,2% do total de 20.575 registros. Os óbitos em domicílio também foram expressivos, somando 17,46%, enquanto 11,68% ocorreram em via pública. Os demais falecimentos distribuíram-se entre outros locais (3,73%) e casos com local ignorado (0,93%). Esses dados indicam que, embora a maior parte das mortes aconteça em ambiente hospitalar, uma parcela significativa ainda ocorre fora desse contexto, o que pode refletir dificuldades de acesso aos serviços de saúde em determinadas regiões do estado.
Em Manaus, a proporção de óbitos hospitalares foi ainda maior que no estado, chegando a 71,36% dos 13.022 registros. A ocorrência de óbitos em domicílio também foi relevante (20,72%), indicando que um número considerável de pessoas faleceu sem atendimento hospitalar ou optou por cuidados paliativos em casa. Em contraste com o restante do estado, a capital registrou proporção menor de óbitos em via pública (5,56%) e em outros locais (2,17%), além de um percentual reduzido de registros com local ignorado (0,2%). Isso sugere maior capacidade de registrar e identificar corretamente os locais de falecimento em Manaus, bem como um padrão mais concentrado no ambiente hospitalar.

Idade do falecido
No Amazonas, em 2022, os óbitos concentraram-se fortemente nas faixas etárias mais elevadas. Os cinco maiores grupos em termos de número de falecimentos foram de pessoas com 85 anos ou mais (13,87%), seguidas pelas faixas de 70 a 74 anos (9,31%), 65 a 69 anos (9,02%), 75 a 79 anos (8,76%) e 80 a 84 anos (8,31%). Juntas, essas cinco faixas somaram aproximadamente metade de todos os óbitos registrados no estado. Essa concentração reforça o impacto do envelhecimento populacional nas estatísticas de mortalidade, indicando que a maior parte das mortes ocorre em idades avançadas.
Em Manaus, o padrão é semelhante ao do estado, com predominância dos óbitos entre idosos. Os cinco grupos com maior percentual de óbitos foram: 85 anos ou mais (13,01%), 70 a 74 anos (9,67%), 65 a 69 anos (9,49%), 75 a 79 anos (8,89%) e 60 a 64 anos (7,86%). A soma dessas faixas etárias representa uma parcela significativa dos óbitos na capital, mostrando que a mortalidade está fortemente concentrada nas fases finais da vida. A leve diferença nos percentuais em relação ao estado pode estar relacionada a aspectos como maior acesso a serviços de saúde, urbanização e diferenças no perfil etário da população de Manaus.

Sub-registro de nascimento
Entre os estados da região Norte, o Amazonas teve o terceiro maior total estimado de nascidos vivos (70.824), ficando atrás apenas do Pará e Rondônia. O percentual de sub-registro no estado foi de 4,90%, mais elevado que a média regional (3,73%) e muito acima da nacional (1,05%), o que evidencia uma preocupação importante com a efetividade do registro civil no estado.
Sub-registro/subnotificação é número de eventos vitais não registrados e, portanto, não constam nas bases dos sistemas de estatísticas vitais. Os sub-registros/subnotificação ainda são uma realidade presente nas fontes de dados disponíveis, tanto para o Ministério da Saúde, quanto para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.
Roraima apresentou o maior percentual de sub-registro da região e de todo o país, com 12,61%, seguido por Amapá (5,77%) e Amazonas (4,90%). Tocantins (1,66%) e Rondônia (0,55%) tiveram os menores percentuais da região, mas ainda assim acima de muitas outras unidades da federação.
Considerando todos os estados do país, os cinco maiores percentuais de sub-registro de nascidos vivos foram observados em Roraima (12,61%), Amapá (5,77%), Amazonas (4,90%), Acre (3,30%) e Paraíba (3,28%). Todos esses estados, com exceção da Paraíba, pertencem a região Norte, o que reforça o desafio dessa região em garantir registros civis completos. Em contrapartida, os cinco menores percentuais foram registrados no Distrito Federal (0,14%), São Paulo (0,17%), Paraná (0,17%), Rio Grande do Sul (0,19%) e Santa Catarina (0,22%), todos pertencentes as regiões Sudeste e Sul, que tradicionalmente contam com maior cobertura institucional e melhor infraestrutura de serviços públicos.
Em 2023, o Brasil teve um total estimado de 2.548.631 nascidos vivos, com um percentual de sub-registro de 1,05%, segundo o IBGE. A região Norte, por sua vez, apresentou 285.815 nascimentos estimados, o que representa cerca de 11,2% do total nacional. No entanto, o Norte se destacou negativamente pelo maior percentual de sub-registro entre as regiões, com 3,73%, valor mais de três vezes superior a média nacional. Isso indica uma maior dificuldade na formalização dos registros civis nessa região, o que pode impactar políticas públicas e acesso a direitos.










