O Censo Nacional da População em Situação de Rua se destina à contagem e à caracterização demográfica e socioeconômica da população em situação de rua do país, constituindo-se como instrumento essencial para o fortalecimento das políticas públicas voltadas a esse grupo populacional, ao fornecer uma base estatística robusta, padronizada e comparável em âmbito nacional. Sua realização permite identificar, com rigor metodológico, a distribuição territorial, o perfil sociodemográfico e as condições de vida da população em situação de rua, suprindo lacunas históricas decorrentes da fragmentação e heterogeneidade das fontes existentes.
A produção dessas informações qualificadas subsidia o planejamento governamental, aprimora a alocação de recursos e orienta a implementação de ações intersetoriais mais eficazes, contribuindo para a promoção de direitos, para a redução de vulnerabilidades e para o fortalecimento da capacidade do Estado em responder de maneira integrada, transparente e baseada em evidências.
O Decreto n. 7.053, de 23 de dezembro de 2009, que institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua, define a população em situação de rua como: “o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória”.
Para viabilizar a realização de um Censo, esse conceito precisará ser operacionalizado de acordo com as necessidades inerentes à produção de estatísticas oficiais, considerando-se as dificuldades de aplicação de quesitos em entrevistas presenciais e os diversos obstáculos contextuais colocados à obtenção de informações específicas junto ao grupo populacional de interesse.
O consenso em torno de critérios básicos para operacionalizar o conceito é de que são: pessoas em situação de rua as pessoas que dormiram nas ruas, instituições ou ocupações não residenciais por pelo menos 1 noite nos últimos 7 dias, considerando a data de referência para a coleta. Primeira Prova Piloto em Manaus Testes metodológicos e de instrumentos Esta etapa destina-se a avaliar detalhadamente a primeira versão dos questionários diretamente no dispositivo móvel de coleta (tablet), buscando mensurar de forma precisa o tempo médio necessário para a aplicação completa de cada questionário.
Além disso, busca-se verificar minuciosamente o grau de compreensão de cada quesito por parte dos entrevistados, reunindo assim os subsídios fundamentais para o aperfeiçoamento contínuo e para a definição final dos quesitos que irão compor a pesquisa. Testes tecnológicos No âmbito tecnológico, os esforços concentram-se em testar exaustivamente o funcionamento geral do aplicativo de coleta, com foco especial na sua performance, estabilidade do sistema e fluidez do fluxo de navegação.
Paralelamente, avalia-se de perto o manuseio prático do tablet por parte dos entrevistadores, garantindo a clareza e a usabilidade de todas as interfaces apresentadas. Testes operacionais As avaliações operacionais consistem em observar atentamente, em condições reais de campo, todo o fluxo de trabalho desenvolvido pelas equipes, abrangendo desde o início do roteiro pré-estabelecido até a efetiva finalização das entrevistas.
Nesse processo, validase o funcionamento e a operacionalização prática das zonas e dos roteiros de coleta, além de testar os mecanismos de transmissão das informações coletadas. Por fim, avaliam-se todas as adaptações metodológicas e operacionais que se façam necessárias para a realização eficiente da coleta em territórios complexos e específicos, tais como os ocupados por povos indígenas, migrantes, refugiados ou solicitantes de refúgio.
Quem vai participar da Prova Piloto O contingente de participantes envolvidos nesta Prova Piloto é composto de forma integrada por observadores vinculados às Superintendências Estaduais do IBGE, por parceiros institucionais do próprio IBGE e pelas equipes diretamente encarregadas da execução de todas as atividades da prova-piloto.
A execução do Piloto ocorrerá no período de 31/08 a 04/09/26. Já o Censo está previsto para ocorrer em junho de 2028.









