Ministério da Saúde inaugurou, no dia 24 de maio, a Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) Tëpi Matis, construída entre as aldeias Txëxë Wassá e Nova Geração, na Calha do Rio Branco, território do povo Matis, no Vale do Javari, Amazonas, na fronteira do Brasil com o Peru.
Com 8,5 milhões de hectares, o território é habitado por mais de 6 mil indígenas, divididos entre povos de contato recente e outros 19 grupos que vivem isolados. É a maior concentração desses povos em todo o mundo.
A nova UBSI passa a integrar o conjunto de estruturas de atenção primária à saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Vale do Javari, amplia o acesso a serviços de saúde e oferece melhores condições de atendimento, acolhimento e suporte às equipes multiprofissionais que atuam nas aldeias da região.
Com investimento de R$ 144.954,12, a unidade passa a atender diretamente cerca de 100 indígenas das aldeias Txëxë Wassá e Nova Geração, além de prestar assistência a indígenas em trânsito para outras comunidades da região. A localização estratégica reduz barreiras de acesso e fortalece a capacidade de resposta em uma área marcada por longas distâncias e deslocamentos predominantemente fluviais.
Antes da construção da UBSI, os atendimentos eram realizados em uma pequena casa de apoio. Com a entrega da nova estrutura, as comunidades passam a contar com uma UBSI Tipo I, modelo destinado a aldeias com população de referência entre 50 e 250 indígenas.
Para a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé, a entrega dessa unidade “reforça a presença do Estado em um território cercado por ameaças e desafios, garante a continuidade do cuidado, a realização de ações de prevenção, vigilância e promoção da saúde, além de fortalecer o trabalho conjunto entre equipes de saúde e lideranças indígenas”, explica.
A UBSI Tëpi Matis dispõe de sala de atendimento de enfermagem, farmácia, laboratório para ações de endemias, banheiro, área de circulação, alojamento para profissionais de saúde, dois quartos, cozinha e área de serviço. A estrutura foi planejada para qualificar o cuidado em território, apoiar ações de vigilância em saúde e oferecer melhores condições de permanência às equipes durante as atividades assistenciais nas aldeias.
Segundo o cacique Ivan Matis, a nova UBSI representa uma mudança na rotina de atendimento, aguardada há muito tempo. “Foi substituída a estrutura improvisada por um espaço melhor para os nossos parentes. Isso é muito bom para nós e para o nosso atendimento. Um desejo de muito tempo”, destaca.









