“O Brasil é o país com a porção mais extensa da Amazônia e o que menos está fazendo para conservá-la.” Esta é a avaliação da engenheira florestal boliviana Marlene Quintanilla, coordenadora do estudo Amazônia contra o relógio: Um diagnóstico regional sobre onde e como proteger 80% até 2025, lançado nesta segunda-feira (5), Dia da Amazônia.
A pesquisa, desenvolvida a partir de 2021 com dados de 1985 a 2020, identificou que, dos nove países amazônicos, o Brasil é o que apresenta o pior nível de transformação (ou seja, desmatamento) e degradação do bioma – 34%. O índice da Bolívia, segunda colocada no ranking, é dez pontos menor, de 24%.
Os pesquisadores da Red Amazónica de Información Socioambiental Georreferenciada (RAISG), da qual Quintanilla faz parte, identificaram que 26% da Amazônia já estão transformados ou altamente degradados, o que a coloca no patamar do ponto de não retorno definido por trabalhos científicos anteriores – este ponto chegaria, de acordo com outros estudos, quando transformação e degradação somadas ultrapassassem o limiar de 20% a 25%.
Além disso, o novo relatório – coordenado por Quintanilla e elaborado pela RAISG em parceria com a Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA) e Stand.Earth – revela que, caso a atual tendência de desmatamento se mantenha, “a Amazônia como conhecemos hoje não chegará a 2025”.
Os efeitos das altas taxas de desmatamento e degradação já estão causando a perda de serviços ecossistêmicos cruciais prestados pela floresta, como a regulação do regime de chuvas. “A função ambiental da Amazônia está mudando de maneira negativa”, afirma Quintanilla.








