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Risco de fome ameaça 13 zonas críticas no segundo semestre deste ano

Sudão, Sudão do Sul, Iêmen, Territórios Palestinos, Nigéria e Somália em alerta mais crítico rumo a condições catastróficas; Afeganistão, República Democrática do Congo, Haiti, Mianmar, Mali, Líbano e Madagáscar também são focos de preocupação; 266 milhões de pessoas vivem insegurança alimentar aguda

Redação por Redação
19 de junho de 2026
em Mundo
Com pequena baixa, Índice de Preços de Alimentos ficou em 135,9 pontos durante o período; medição mensal destaca Brasil pela queda do custo do açúcar e aumento dos valores do etanol - Foto: © FAO/Mohammed Nehro Al-Thalath

Foto: © FAO/Mohammed Nehro Al-Thalath

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Um novo relatório de agências da ONU alerta que o grande avanço da insegurança alimentar severa requer uma mobilização internacional imediata. As previsões apontam para a piora da fome aguda para milhões de pessoas em 13 países.

O estudo “Pontos Críticos de Fome” da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e do Programa Mundial de Alimentos, WFP, foi publicado nesta quarta-feira, em Roma, sede de ambas as agências.

Crise de financiamento humanitário global

Entre junho e novembro, tais “pontos críticos da fome” terão um agravamento, marcado pela queda de 59% no financiamento humanitário global para assistência de emergência nas áreas alimentar e agrícola.

Os efeitos observados nos últimos três anos incluem a redução de recursos disponíveis a patamares de quase uma década atrás. O total de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda disparou para cerca de 266 milhões.

As duas agências ressaltam um panorama global que exige intervenções humanitárias imediatas e preventivas antes que os alertas se transformem em tragédias irreversíveis.

Para a FAO, o desafio atual não reside na identificação das emergências, mas sim na velocidade e dimensão das ações preventivas. O investimento antecipado na agricultura de subsistência e na resiliência local são vistos como rumo mais eficaz para proteger meios de subsistência e reduzir demandas humanitárias.

Garantia de acesso humanitário seguro 

Para ilustrar a urgência da resposta, o WFP enfatiza que os conflitos e desastres climáticos forçam famílias a fazer escolhas sobre a própria sobrevivência. Isso exige a liberação imediata de fundos e a garantia de acesso humanitário seguro para alcançar os afetados antes que a escassez se converta em catástrofe definitiva.

A Faixa de Gaza, o Sudão, o Sudão do Sul e o Iêmen permanecem na categoria de máxima preocupação mundial devido à gravidade extrema de seus cenários alimentares. Estes contextos enfrentam a persistência ou a ameaça iminente de condições de fome generalizada.

No Sudão, o risco de fome severa ameaça 14 áreas em Darfur e Cordofão, afetando mais de 19 milhões de cidadãos e projetando que 200 mil pessoas atinjam o nível de catástrofe total nos próximos meses.

Outro quadro alarmante é o do Sudão do Sul, onde mais da metade da população nacional enfrenta níveis críticos de privação alimentar. Milhares de pessoas já enfrentam condições catastróficas e vários condados sofrem ameaçados diretamente de fome extrema até o final do período avaliado.

Crise afetando 18 milhões de pessoas

Já no Iêmen, a crise alimentar se consolida como uma das mais severas do planeta, afetando mais de 18 milhões de pessoas divididas entre áreas controladas por diferentes autoridades governamentais e regionais.

A rápida piora das condições de vida provocou a inclusão da Nigéria e da Somália neste grupo de vigilância máxima.

O território nigeriano passou a integrar a lista após novas projeções no estado de Borno, onde partes consideráveis da população enfrentam desnutrição aguda crítica e risco iminente de mortandade por inanição.

Já a Somália ingressou na categoria alarmante devido ao risco iminente de fome identificado no distrito de Burhakaba, com secas sucessivas, colheitas historicamente baixas e efeitos econômicos de grandes tensões internacionais.

Zonas de preocupação 

No primeiro semestre, a estabilização nos Territórios Palestinos foi frágil e localizada após o cessar-fogo do ano passado, mas toda a Faixa de Gaza segue sob risco extremo. Mais de 1,5 milhão de pessoas dependem de ajuda urgente.

O panorama da insegurança alimentar se estende de forma grave por outras regiões que exigem monitoramento contínuo e preventivo das agências internacionais.

O Afeganistão se mantém como um ponto crítico de preocupação muito alta pela combinação de secas sucessivas, inflação dos alimentos e instabilidade interna.

Na República Democrática do Congo, a violência armada nas províncias orientais e o grande deslocamento das populações são agravados por um surto recente de ebola. A conjugação de fatores cria barreiras perigosas ao funcionamento dos mercados locais, à mobilidade humana e ao acesso das equipes de socorro.

Rotas rodoviárias essenciais

Por outro lado, o Haiti teve melhoras localizadas e discretas, como a queda da inflação e a desobstrução parcial de rotas rodoviárias essenciais. Esses fatores permitiram a transição da categoria mais grave para o grupo de preocupação muito alta, embora sua infraestrutura social permaneça profundamente fragilizada.

O cenário da fome global torna-se ainda mais complexo com a inclusão de novas áreas afetadas por choques climáticos e geopolíticos simultâneos. Mianmar e Mali continuam sendo zonas críticas pela vulnerabilidade social agravada pela variação do clima e por fortes pressões econômicas.

Líbano e Madagascar integram o relatório por causa da escalada de confrontos militares ocorridas no início deste ano e da incidência de padrões meteorológicos adversos e erráticos.

Em quase todas as 13 zonas críticas, os cenários de fome são impulsionados por conflitos armados e violência. A esses fatores se juntam os choques econômicos globais e as previsões do fenômeno climático El Niño.

As anomalias climáticas podem desestabilizar ainda mais a produção agrícola global com secas severas e inundações imprevisíveis no segundo semestre do ano.

Tags: criseFomeMundoONU

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