O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, depõe nesta quarta-feira (19) à CPI da Covid. A fala do general é a mais aguardada até o momento na CPI e, embora estar blindado por um habeas corpus, que permite se calar sobre atos relativos às suas ações diante da pasta, o general ainda deverá falar sobre atos de terceiros.
Ordens de Bolsonaro
Contrariando a fala de outros depoentes que disseram a CPI que o presidente Bolsonaro intervinha nas ações de combate a pandemia de covid-19, Pazuello afirmou que nunca foi chamado para ser orientado pelo presidente.
Pazuello disse que gostaria de ter se encontrado mais com o presidente Bolsonaro e os seus filhos para a tomada de decisões no Ministério da Saúde. Ao ser citado, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), interrompeu a fala do ex-ministro: “vamos continuar conversando, Pazuello”. O presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM), chamou a atenção do filho do presidente. “Eu não estou entendendo onde esse relator quer chegar”, disse Flávio Bolsonaro sobre Renan Calheiros (MDB-AL).
Orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS)
O ex-ministro afirmou ao colegiado que o Ministério da Saúde não seguiu as recomendações da OMS porque a pasta tinha “autonomia” pra isso.
Recomendação do uso de cloroquina
De acordo com Pazuello, a recomendação do uso de cloroquina pelo Ministério da Saúde, permaneceu porque “vários países” também faziam o uso do remédio. “Mais de 20 países com protocolos para usar o medicamento contra o coronavírus, como China, Cuba e Venezuela”.
Em maio do ano passado, a OMS recomendou que os testes com o medicamento fossem parados por apresentarem risco de morte. O Brasil é o único país que ainda insiste no uso do remédio através do presidente Jair Bolsonaro. Na segunda-feira (17), a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), ligada ao Ministério da Saúde, passou a contraindicar o uso do medicamento.
Contratos com a Pfizer
O ex-ministro disse que não ignorou as propostas de negociação com a Pfizer para a compra de vacinas. “Nós respondemos a Pfizer inúmeras vezes. Nunca fechamos a porta”, disse.
Fonte: Congresso em Foco








