
Há problema em tentar engravidar durante uma pandemia que ninguém sabe quanto tempo vai durar? Com o coronavírus se espalhando pelo mundo e interrompendo as rotinas regulares da vida cotidiana como a conhecemos, uma grande questão surge: as mulheres devem adiar a gravidez por causa do covid-19? A resposta não é tão simples quanto um “sim” ou “não”. Como qualquer decisão que muda o rumo de uma família, há vários aspectos envolvidos. Vamos entender isso melhor.
Gravidez e covid-19
Com base nas evidências científicas que surgiram até agora, as mulheres grávidas não correm maior risco de contrair coronavírus. E se elas forem diagnosticadas com covid-19, as gestantes não têm maior probabilidade de complicações e resultados ruins, como a necessidade de serem hospitalizadas ou ventiladas, em comparação com as mulheres não grávidas da mesma idade. Vanessa Poliquin, uma das especialistas que trabalha em novas diretrizes para lidar com o covid-19 durante a gravidez na Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Canadá, acrescenta: “Falando em termos médicos, não temos sinais de que o coronavírus seja prejudicial para a gravidez”.
Transmissão vertical
Além disso, uma análise de nove mulheres grávidas infectadas que deram à luz no Hospital Zhongnan da Universidade Wuhan, na China, no início deste ano, não detectou o vírus no sangue do cordão umbilical, líquido amniótico ou leite materno – o que significa que, neste momento, os pesquisadores não acham que exista transmissão vertical da mãe para o bebê no útero – o que pode tranquilizar as mães que já estão grávidas e temem a doença. Embora a maioria dos dados sobre covid-19 e gravidez se concentre apenas no terceiro trimestre, Poliquin diz que a falta de sinais alarmantes no início da gravidez é esperançosa. “A doença se espalha há cerca de três meses e existem quase 400.000 pessoas no mundo infectadas, então é possível que haja uma parcela de mulheres no primeiro trimestre infectadas e até agora não vemos sinais de um aumento na taxa de aborto espontâneo ou complicações no primeiro trimestre.”
Mudanças no pré-natal
Entretanto, o que pode certamente tirar a tranquilidade é a questão do pré-natal e do parto. Não há dúvida de que o atendimento a mulheres grávidas será diferente na era do coronavírus. Há notícias de hospitais que restringiram a entrada de visitantes e só permitem o acompanhante da parturiente se este não tiver nenhum sintoma de gripe. Além disso, há equipes de parto usando equipamentos de proteção completos e algumas clínicas pré-natais e consultas movendo-se para o virtual. E ainda não está claro como a pressão de longo prazo sobre os serviços de saúde e convênios afetará os ultrassons de rotina e demais exames do pré-natal.
Pressão psicológica e emocional
Se você estava pensando em engravidar, é importante se perguntar como seria uma gravidez (ou até mesmo um recém-nascido) na sua vida, agora, em meio às consequências da pandemia. Todo mundo está enfrentando mais incerteza e medo no momento, há um aumento dos transtornos de ansiedade na sociedade como um todo. Pense em como você lidaria com a ansiedade que as notícias diárias e a incerteza trazem. Talvez nunca haja um momento “certo” para ter um bebê, mas é importante você investigar suas possibilidades e limites. Você concordaria em alterar seu plano ideal de parto? Em quais pessoas você poderia se apoiar, pelo menos virtualmente? E isso é suficiente? Sua situação financeira mudou ou tem previsão de mudar nas próximas semanas? Você tem reservas financeiras? As respostas para essas perguntas são únicas para cada mulher, assim como decidir ou não engravidar neste momento.
Fonte: Maternews








