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Número de queixas à polícia sobre violência a mulheres jornalistas dobra desde 2020

Uma em cada quatro sofre de ansiedade e/ou depressão; quase metade das jornalistas relata autocensura nas redes sociais e 22% devido às ofensas na internet; 12% sofreram com vazamento criminoso de imagens íntimas e 6% com deepfakes; estudo da ONU Mulheres antecede Dia Mundial da Liberdade de Imprensa neste 3 de maio

Redação por Redação
4 de maio de 2026
em Mundo
© UNESCO/Chris Peken

© UNESCO/Chris Peken

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Desde 2020, delegacias e postos de polícia em todo o mundo estão recebendo o dobro do número de queixas por casos de violência a mulheres que trabalham no jornalismo.

Os dados são do relatório “Ponto de Virada: Impactos, Manifestações e Reparação da Violência Online na Era da Inteligência Artificial”, que examina como a violência online está restringindo a participação das mulheres na vida pública.

Deepfake e imagens não autorizadas

O estudo, financiado pela União Europeia, foi encomendado pela ONU Mulheres em parceria com pesquisadores da Iniciativa de Integridade da Informação do The Nerve e da City St. George’s, Universidade de Londres, em colaboração com o Centro Internacional para Jornalistas e a Unesco.

Pelos dados, 12% das defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas, profissionais da mídia e outras comunicadoras públicas relatam ter sofrido o compartilhamento não consensual de imagens pessoais, incluindo conteúdo íntimo ou sexual. Seis por cento dizem ter sido vítimas de “deepfakes”, enquanto quase uma em cada três recebeu investidas sexuais não solicitadas por meio de mensagens digitais.

Credibilidade e reputação profissionais

A pesquisa, divulgada às vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, neste 3 de maio, revela que esse tipo de abuso é frequentemente deliberado e coordenado, com o objetivo de silenciar mulheres na vida pública, ao mesmo tempo que mina sua credibilidade profissional e reputação pessoal.

E a estratégia já está surtindo efeito: 41% de todas as mulheres entrevistadas disseram praticar a autocensura nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% relataram praticar a autocensura em seu trabalho profissional como resultado da violência online.

Para jornalistas e profissionais da mídia, o cenário é ainda mais preocupante, com 45% desse grupo relatando autocensura nas redes sociais no ano passado, o que representa um aumento de 50% desde 2020 e quase 22% relataram autocensura em seu trabalho. Uma em cada quatro jornalistas foi diagnosticada com ansiedade e/o depressão relacionadas à violência.

Leis que protegem mulheres 

A pesquisa mostra que ainda existem lacunas significativas na proteção legal contra a violência online. Como o Banco Mundial destacou no ano passado, menos de 40% dos países têm leis em vigor para proteger as mulheres do assédio cibernético ou da perseguição cibernética.

Como resultado, 44% das mulheres e meninas do mundo — aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas — permanecem sem acesso à proteção legal.

Outras tendências notáveis ​​apontam para um aumento nas ações judiciais e denúncias às autoridades policiais entre jornalistas e profissionais da mídia.

Responsabilização

Em 2025, elas tinham o dobro da probabilidade (22%) de denunciar incidentes de violência online à polícia em comparação com 2020 (11%). Quase 14% agora estão tomando medidas legais contra os agressores, cúmplices ou seus empregadores, um aumento em relação aos 8% em 2020 — refletindo uma crescente conscientização e uma pressão maior por responsabilização.

Essa violência está causando sérios danos à saúde e ao bem-estar das mulheres. O relatório revela que quase um quarto (24,7%) das jornalistas e profissionais da mídia entrevistadas foram diagnosticadas com ansiedade ou depressão relacionadas à violência online que sofreram, e quase 13% relataram ter sido diagnosticadas com transtorno de estresse pós-traumático, Tept.

Crise exige urgência

A chefe da Seção de Fim da Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres, Kalliopi Mingeirou, afirma que a inteligência artificial está tornando o abuso mais fácil e mais prejudicial, e isso está alimentando a erosão de direitos arduamente conquistados em um contexto marcado por retrocessos democráticos e misoginia em rede. Nossa responsabilidade é garantir que os sistemas, as leis e as plataformas respondam com a urgência que esta crise exige.

Os autores do relatório são Dra. Julie Posetti, Kaylee Williams, Dra. Lea Hellmueller, Dra. Pauline Renaud, Nabeelah Shabbir e Dra. Nermine Aboulez.

Tags: jornalistaMundoONU

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