Trabalhadores humanitários estão sendo mortos em quantidades sem precedentes, com um novo recorde alcançado, em 2024, de 377 fatalidades.
Ao abrir seu discurso no Conselho de Segurança nesta quarta-feira, a secretária-geral assistente da ONU para Assuntos Humanitários ressaltou que o número representa quase 100 mortes a mais que em 2023.
Voz do Conselho precisa ser “alta, clara e consistente”
Joyce Msuya, afirmou que “ataques a trabalhadores humanitários devem acabar e os autores devem ser responsabilizados”.
Ela afirmou que a voz do Conselho de Segurança e dos Estados-membros da ONU tem que ser “alta, clara e consistente” na condenação dos ataques à ONU e ao pessoal humanitário.
A secretária-geral assistente declarou que “silêncio, inconsistência e indignação seletiva apenas encorajam os perpetradores”.
Além das ofensas letais, os profissionais de ajuda também sofreram com ferimentos graves, sequestros e detenções arbitrárias.
No Sudão, pelo menos 84 agentes humanitários, todos sudaneses, foram mortos desde o início do conflito iniciado em abril de 2023.
Socorristas mortos em Gaza
Joyce Msuya lembrou que em 30 de março, em Gaza, foram recuperados de uma vala comum os corpos de 15 socorristas humanitários do Crescente Vermelho Palestino, da Defesa Civil de Gaza e das Nações Unidas. Eles foram mortos dias antes por forças israelenses enquanto tentavam salvar vidas.
O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, explicou que no dia do ataque, cinco ambulâncias, um caminhão de bombeiros e um carro da ONU foram atingidos por disparos israelenses.
Os veículos foram achatados e enterrados na areia junto com os cadáveres dos profissionais, vestidos com seus uniformes.
Joyce Msuya exigiu respostas e justiça.
“Falta vontade política”
Ela ressaltou que não há uma escassez de estruturas jurídicas internacionais robustas para proteger trabalhadores humanitários, “o que falta é vontade política para cumpri-las.”
Cerca de 95% dos trabalhadores humanitários mortos são locais. Para a representante da ONU, eles são a “pedra angular dos esforços de socorro” e qualquer resposta humanitária entraria em colapso sem esses profissionais.
Ela ressaltou que muitos desses trabalhadores tiveram suas vidas destruídas, perderam entes queridos, foram deslocados várias vezes sobreviveram a ataques, mesmo assim vão trabalhar todos os dias para implementar o mandato dado pelos Estados-membros da ONU.
Criminalização do trabalho humanitário
Joyce Msuya relatou que os profissionais humanitários também estão sofrendo com a criminalização de seu trabalho, sendo cada vez mais detidos, interrogados e acusados de apoiar o terrorismo, simplesmente por entregar ajuda a pessoas necessitadas.
Além disso, campanhas de desinformação que tem como alvo as organizações de ajuda aumentaram em locais como Haiti, nos Territórios Palestinos, e Iêmen.
Segunda ela, na República Democrática do Congo, as campanhas de desinformação abalaram a credibilidade da ONU, alimentaram protestos públicos e prejudicaram a relação com comunidades locais.
A representante da ONU pediu liderança do Conselho de Segurança com medidas “tangíveis”, como visitas aos locais afetados, criação missões de apuração de fatos e bloqueios da entrada de armas.









