O surto de ebola continua se expandindo na República Democrática do Congo, RD Congo, com 6 mil casos confirmados e 3.175 mortes relatadas.
No início da crise, a maior parte dos pacientes estava concentrada na província de Bunia, mas agora a doença se espalhou pela nação africana.
Necessidade por 1,6 mil leitos adicionais
Para tentar frear o avanço do vírus bundibugyo, já foram estabelecidos 59 centros de tratamento, com 1,4 mil leitos.
A Organização Mundial da Saúde, OMS, que apoia os esforços, afirma que ainda são necessários outros 1,6 mil leitos para atender às crescentes
necessidades.
Segundo a agência, cerca de 4 mil profissionais de saúde estão trabalhando nos centros de tratamento existentes, mas ainda é necessário contratar mais 5 mil.
As unidades de atendimento podem ser construídas rapidamente, mas a contratação, o treinamento e o suporte de novos funcionários demandam tempo.
De acordo com a OMS, administrar um centro de tratamento com 50 leitos custa cerca de US$ 500 mil por mês.
Pedido de US$ 1,3 bilhão para os próximos seis meses
Na última sexta-feira, o Governo da RD Congo, em parceria com a OMS, o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças e outras entidades, lançou um plano multissetorial revisado de resposta ao ebola, que requer US$ 1,3 bilhão para os próximos seis meses.
O plano prevê uma ampla expansão das atividades de vigilância, rastreamento de contatos, tratamento, engajamento comunitário e preparação.
Em um país afetado por grandes necessidades humanitárias, o desafio não é apenas encontrar profissionais de saúde para serem treinados, mas também garantir a continuidade dos serviços essenciais para outras doenças.
Epicentro da epidemia também sofre com insegurança alimentar
A região leste da RD Congo é instável há muitos anos. O diretor do Programa Mundial de Alimentos, WFP, no país visitou a província de Ituri, o epicentro do surto, e constatou como anos de conflitos, deslocamentos e falta de acesso a alimentos afetaram as comunidades locais.
David Stevenson afirmou que a assistência alimentar deve ser parte integrante da resposta à doença.
Ele explicou que Ituri é um local onde mais de 500 mil pessoas enfrentam níveis de fome e insegurança alimentar classificados como nível 4, apenas um degrau abaixo da mortalidade por inanição. Portanto, as necessidades são críticas, justamente no local considerado o epicentro da epidemia.
As necessidades humanitárias em todo o país continuam imensas. O Plano de Resposta Humanitária, orçado em US$ 2,1 bilhões, conta com financiamento de apenas cerca de metade desse valor.
A RD Congo já enfrentou o ebola 17 vezes desde que o vírus foi descoberto, há cerca de 50 anos.








